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Justiça francesa valida fechamento de mesquita que divulgou vídeo contra professor decapitado

27/10/2020 11h18

Paris, 27 Out 2020 (AFP) - A Justiça administrativa francesa validou nesta terça-feira (27) a decisão do Ministério do Interior de fechar por seis meses uma mesquita que divulgou um vídeo contra o professor Samuel Paty, que mais tarde foi decapitado por um islâmico radical.

Um tribunal administrativo concluiu que as autoridades não haviam "violado grosseira e manifestamente as liberdades fundamentais" ao fechar o local de culto, de forma provisória, "para evitar a repetição desses atos".

As autoridades censuram os responsáveis por terem divulgado em sua página do Facebook, em 9 de outubro, um vídeo que mostra o pai de uma estudante do colégio Conflans-Sainte-Honorine indignado com um curso sobre liberdade de expressão dado por Samuel Paty em 5 de outubro.

Em 16 de outubro, o professor de história e geografia foi decapitado por um jovem de 18 anos de origem russo-chechena, enquanto caminhava pelo centro.

Durante a audiência desta segunda-feira, o chefe da mesquita Pantin, localizada nos arredores de Paris, M'hammed Henniche, desculpou-se por compartilhar o vídeo e disse que estava "arrasado" diante desse "crime desprezível".

Em sua decisão, porém, o tribunal determinou que Henniche foi "negligente" e que "sua posição e deveres deveriam tê-lo levado a mostrar mais moderação".

O tribunal argumentou ainda que a decisão de fechar temporariamente a mesquita também leva em consideração a presença de um "movimento radical" dentro dela, no qual o Imam Ibrahim Doucouré, que celebra as orações de sexta-feira ali, estaria envolvido.

Doucouré havia anunciado no domingo a suspensão de suas funções na mesquita.

Em um comunicado, a Federação Muçulmana Pantin anunciou que vai apelar dessa decisão ao Conselho de Estado, o principal tribunal administrativo da França.

fan-meb/zm/cc/tt

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