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Covid-19 no Brasil: precariedade dos mais pobres é uma das causas das taxas de mortalidade elevadas

26/10/2020 12h35

O jornal francês Libération desta segunda-feira (26) traz uma reportagem realizada por sua correspondente em São Paulo. A jornalista relata a evolução da pandemia de Covid-19 no país, que registra altos índices de mortalidade principalmente nos bairros mais pobres. Segundo o texto, a precariedade é um dos fatores que mais pesam na saúde da população nesse contexto de crise sanitária.

O jornal francês Libération desta segunda-feira (26) traz uma reportagem realizada por sua correspondente em São Paulo. A jornalista relata a evolução da pandemia de Covid-19 no país, que registra altos índices de mortalidade principalmente nos bairros mais pobres. Segundo o texto, a precariedade é um dos fatores que mais pesam na saúde da população nesse contexto de crise sanitária.

A reportagem começa explicando que em São Paulo, capital econômica do Brasil, "um em cada quatro adultos já foi exposto ao vírus". No entanto, "essa média esconde desigualdades abissais: na regiões mais pobres, a porcentagem da população infectada ou que já teve contato com o vírus sobe para 30,4%, e alcança 31,6% entre os negros" que, segundo associações mencionadas pela correspondente, são duplamente discriminados no acesso aos cuidados médicos.

O texto também relata a situação em outras capitais brasileiras. No Rio de Janeiro, "segunda cidade do país, famosa por suas favelas, a taxa de mortalidade ligada ao vírus era, de acordo com um estudo publicado em agosto, duas vezes maior nos bairros pobres". Uma situação que não é muito diferente em Recife, continua a reportagem.  

Da doméstica ao pipoqueiro

A correspondente do Libération aponta que mesmo se não há estudos aprofundados sobre a relação entre a propagação do vírus e as moradias precárias, o avanço da pandemia, que já transformou o Brasil em segundo pais com mais mortos no mundo, relança o debate sobre o impacto dos aspectos sociais na saúde dos moradores das periferias. Ela lembra que nessas regiões, o acesso às redes de esgoto é precário, faltam leitos nos hospitais e os moradores enfrentam insegurança alimentar, o que torna a prevenção muito mais difícil, pode-se ler nas entrelinhas.

Além disso, lembra a correspondente, as medidas de trabalho remoto impostas durante a quarentena "expuseram mais do que nunca a fratura social brasileira", onde milhões de pessoas dependem de uma presença física em suas atividades profissionais ou estão na economia informal. E isso vale "desde a doméstica, quase nunca registrada e excluída dos mecanismos de auxílio emergencial, até o pipoqueiro, frequentemente citado pelo presidente de extrema direita Jair Bolsonaro para criticar o impacto econômico do isolamento social", resume a jornalista.

Pobres estigmatizados também pela esquerda

A correspondente do Libération afirma que os pobres são estigmatizados no país por não respeitarem as medidas de quarentena, "até mesmo pela esquerda". Ela cita membros de associações chocados pelo fato de que os moradores das periferias "passam o cigarro de boca em boca" (favorecendo a propagação da doença), e que, "sem políticas específicas, esse os bairros não se sentem implicados na luta contra um vírus 'importado' pelos brasileiros que podem viajar para a Europa".

A reportagem do Libération termina ressaltando que o novo coronavírus já se tornou a primeira causa de mortalidade no Brasil.

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