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Hamas e Fatah concordam em realizar eleições em 'seis meses'

24/09/2020 19h01

Ramallah, Territórios palestinos, 24 Set 2020 (AFP) - Os islamitas do Hamas e seus rivais laicos do Fatah concordaram em realizar eleições palestinas "dentro de seis meses" - disseram nesta quinta-feira (24) à AFP líderes de ambos os lados.

Segundo essas fontes, o acordo entre o Hamas de Ismael Haniyeh e o Fatah de Mahmud Abbas prevê, mais precisamente, eleições legislativas e presidenciais, que serão as primeiras nos Territórios Palestinos em quase 15 anos.

"Concordamos em realizar primeiro eleições parlamentares; depois, a eleição do presidente da Autoridade Palestina; e, finalmente, do conselho central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) ao longo dos próximos seis meses", declarou Djibril Rajub, alto funcionário do Fatah, à AFP.

Um líder do Hamas, Saleh al-Aruri, confirmou à AFP este acordo alcançado após reuniões na Turquia entre o Fatah, que lidera a Autoridade Palestina com base em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, e o Hamas, no poder na Faixa de Gaza.

"Desta vez, alcançamos um verdadeiro consenso (...) As divisões prejudicaram nossa causa nacional, e estamos trabalhando para acabar com isso", garantiu Al-Aruri em entrevista por telefone de Istambul.

A última eleição presidencial palestina data de 2005. Na época, o sucessor de Yasser Arafat à frente do Fatah, Mahmud Abbas, agora com 84 anos, venceu com 62% de apoio. Desde então, ele lidera a Autoridade Palestina.

Um ano depois, o Hamas venceu as eleições legislativas, mas esses resultados azedaram as relações entre os dois campos a ponto de provocar confrontos armados e a tomada de 2007 da Faixa de Gaza pelo movimento islâmico.

Até recentemente, os dois movimentos seguiam em conflito.

De acordo com uma rara sondagem realizada nos últimos meses pelo Centro de Investigação Palestino sobre Política e Pesquisas (PCPSR), o líder do Hamas, Ishmael Haniyeh, estaria à frente de Mahmud Abbas no caso de uma eleição.

Abbas, que prometeu em diferentes momentos realizar eleições, ainda não se pronunciou sobre se disputará sua própria sucessão.

- Normalização -Hanan Ashrawi, uma líder palestina, comemorou o anúncio da convocação de novas eleições. É "uma boa notícia para o povo palestino", afirmou em um comunicado.

"Acabar com a divisão contínua no sistema político palestino é uma prioridade urgente e há muito esperada", acrescentou.

Ashrawi também incentivou a comunidade internacional a "garantir que Israel não atrapalhe" o processo eleitoral.

Signatária dos acordos de paz de Oslo com Israel, a OLP reúne muitas facções palestinas, incluindo o Fatah, mas não o Hamas.

O acordo conjunto desta quinta-feira, que prevê eleições para a liderança da OLP, sugere que o Hamas poderia se juntar a este grupo.

O anúncio é feito no momento em que ambas facções palestinas iniciaram recentemente um diálogo na esperança de unir forças para conter a normalização das relações entre Israel e os países do Golfo, incluindo Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Os palestinos chamaram os acordos de normalização de "punhalada nas costas" e criticaram certos países árabes, enquanto Israel e os Estados Unidos tentam convencer outros países da região a seguirem os passos dos Emirados e do Bahrein.

A Turquia e o Irã, dois países muçulmanos não árabes, criticaram os acordos de normalização.

O Irã mantém relações com grupos islâmicos armados em Gaza, mas menos com a Autoridade Palestina.

A Turquia, por sua vez, "aspira a liderar a defesa da causa palestina", acreditando que os países árabes e o Ocidente não a defendem o suficiente, disse recentemente à AFP Gallia Lindenstrauss, do Instituto Nacional de Pesquisas de Segurança de Tel Aviv.

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