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Temor de nova onda do coronavírus na cidade espanhola de Zaragoza

12/08/2020 09h49

Zaragoza, Espanha, 12 Ago 2020 (AFP) - Em Aragón, uma das regiões mais afetadas pela COVID-19 na Europa, localizada no nordeste da Espanha, o aumento dos contágios provoca recordações ruins: grande fluxo de pacientes, o sistema de saúde saturado e um hospital de campanha.

Tudo começou com focos familiares em bairros populosos de áreas carentes de Zaragoza, capital de Aragón, "que é um entorno francamente propício para a transmissão", pela pobreza, superlotação ou a barreira da língua, destaca José Ramón Paño, especialista em doenças infecciosas no hospital clínico universitário de Zaragoza.

As "faíscas iniciais" ganharam força com "eventos de supertransmissão", como festas de família ou o lazer noturno.

"O incêndio se propagou aos locais trabalho e asilos, o que deixou o sistema de saúde sob pressão", disse Paño.

Nos últimos sete dias, Aragón foi a região espanhola com a maior taxa de contágios, 270 casos para cada 100.000 habitantes, 242 internações e 32 mortes, de acordo com os dados do ministério da Saúde.

No início da semana, praticamente nenhum turista caminhava diante da célebre Basílica de Nossa Senhora do Pilar em Zaragoza. O aquário da cidade, um dos maiores do mundo, fechou as portas por segurança em 27 de julho, após um meio e meio de retorno das atividades.

Mas as ruas da quinta maior cidade da Espanha, com 675.000 habitantes, estão animadas.

No bairro de 'Delicias', o mais afetado pela epidemia, as pessoas frequentam bares e os mais velhos caminham sem grandes preocupações.

Alguns aguardam em filas diante de lojas e outros esperam pelos exames de detecção do novo coronavírus nos centros de saúde.

Os pacientes são atendidos por uma enfermeira com proteção completa (bata dupla, face shield, máscara, duas luvas em cada mão) para o teste com o 'swab'.

Na primeira semana de agosto, Aragón organizou entre 3.500 e 4.000 testes PCR por dia entre uma população de 1,3 milhão de habitantes, segundo as autoridades.

Quando um caso é diagnosticado, os "rastreadores" identificam os últimos contatos do paciente e convocam as pessoas para o exame.

E mesmo quando o teste aponta resultado negativo, estas pessoas devem respeitar uma quarentena, explica à AFP Natalia Formento, uma enfermeira "rastreadora".

Luis Miguel García, que dirige a Sociedade Aragonesa de Medicina Familiar e Comunitária, faz uma observação sobre os dados na região: "Estamos fazendo muitos testes, mas detectamos assintomáticos e não sabemos se estas pessoas são atualmente contagiosas ou se foram antes".

Para o médico, a idade média da população de Aragón deve ser levada em consideração: "Morreu um paciente de 85 anos com câncer de cólon. Ele morreu de coronavírus ou com coronavírus?".

No início do mês, Javier Lambán, presidente regional de Aragón, citou uma "tempestade perfeita, entre os excessos do lazer juvenil e os empregados temporários", que costumam trabalhar em condições precárias, geralmente sem documentos, e vivem em condições insalubres. Além disso, este grupo viaja de região em região em função da temporada.

Lambán prometeu implementar um dispositivo de controle com policiais, assistentes sociais, agentes da segurança civil e profissionais da saúde para verificar se as pessoas diagnosticadas com o coronavírus e seus contatos diretos respeitam a quarentena em suas casas.

A polícia de Zaragoza informou que apenas na primeira semana de agosto acabou com 75 reuniões de jovens.

Como no momento mais grave da epidemia, o exército começou a instalar nesta quarta-feira um hospital de campanha de 400 metros quadrados no estacionamento do hospital universitário de Zaragoza.

mig/du/zm/fp

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