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Petição tenta impedir despejo de 'Robinson Crusoé' da Itália

07/08/2020 11h21

LA MADDALENA, 7 AGO (ANSA) - Dezenas de milhares de italianos assinaram uma petição para impedir que um eremita seja expulso de uma paradisíaca e desabitada ilha no Mar Tirreno, entre a Sardenha e a Córsega.   

Há mais de três décadas, Mauro Morandi, 81 anos, é o guardião informal e único habitante da ilha de Budelli, conhecida por sua inconfundível "praia rosa", cuja coloração se deve à presença na areia de um micro-organismo chamado Miniacina miniacea.   

No entanto, a administração do Parque Nacional do Arquipélago La Maddalena, onde fica Budelli, decidiu acelerar um projeto de remoção de construções consideradas "abusivas", inclusive a cabana que serve de lar para Morandi desde 1989.   

"Vão ter de me arrastar. Eu não saberia viver em outro lugar nem o que fazer. Essa é minha vida. Simplesmente não me vejo jogando baralho ou bocha", disse o eremita, apelidado de "Robinson Crusoé" da Itália, em entrevista recente à CNN.   

O personagem criado por Daniel Defoe (1660-1731) protagoniza um romance homônimo que relata sua vida de náufrago em uma remota ilha tropical. Morandi chegou a Budelli por acaso, quando pensava em encontrar uma ilha na Polinésia para se afastar da vida urbana, e passou a habitar uma antiga estação de rádio militar da Segunda Guerra Mundial.   

Ele já havia recebido um aviso para deixar a ilha em 2017, após a aquisição de Budelli pelo Estado, mas uma petição com 18 mil assinaturas conseguiu impedir o despejo. Agora, frente à nova ameaça de remoção, italianos criaram mais um abaixo-assinado para pedir ao ministro do Meio Ambiente, Sergio Costa, que o eremita continue na ilha. A petição já tem mais de 64 mil firmas.   

Os promotores da iniciativa afirmam que a ação de despejo é uma "obstinação inaceitável" e "falsamente atribuída para sanar um abuso construtivo". Segundo a petição, Morandi poderia continuar como zelador da ilha para supervisionar as obras e não ter de abandonar sua casa.   

Também à CNN, o presidente do Parque Nacional do Arquipélago La Maddalena, Fabrizio Fonnesu, não descartou manter o eremita em Budelli no futuro, mas disse que ele ocupa um imóvel sem autorização oficial. "Se, no futuro, houver necessidade de um zelador, poderemos reconsiderar sua posição, mas, quando as obras começarem, ele terá de ir embora", afirmou. Morandi também é acusado de modificar o imóvel sem permissão.   

A administração do parque pretende demolir todas as construções abusivas e construir um observatório ambiental na ilha. "Tudo o que peço é que, se tiver de sair durante as obras, que eu possa voltar e continuar fazendo aquilo que faço a cada dia: vigiar a praia rosa, manter turistas afastados e proteger a natureza", acrescentou Morandi à CNN.   

Paraíso protegido - Recentemente, o Parque La Maddalena aprovou novas regras para a visitação de turistas em Budelli, proibindo guarda-sóis, tendas, mochilas e até toalhas na areia, de modo a garantir a preservação dos corais.   

Além disso, quem pisa na ilha deve estar atento para se limpar de toda a areia antes de ir embora. A visitação é restrita ao horário das 10h30 às 16h, e apenas por meio de cinco barcos autorizados pelo parque. A famosa praia rosa, no entanto, está fechada para o público. (ANSA).   

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