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Médicos cubanos merecem Nobel da Paz pelo trabalho na pandemia, defende ex-ministro da Saúde do Brasil

04/08/2020 14h52

A mobilização na América Latina para que os médicos de Cuba sejam indicados para receber um dos mais prestigiosos prêmios de paz no mundo tem um apoio de peso no Brasil. Alexandre Padilha, deputado federal do PT (SP) e ex-ministro da Saúde, defende que o prêmio seja atribuído aos profissionais que estão demonstrando solidariedade em vários países do mundo no combate à Covid-19. 

A mobilização na América Latina para que os médicos de Cuba sejam indicados para receber um dos mais prestigiosos prêmios de paz no mundo tem um apoio de peso no Brasil. Alexandre Padilha, deputado federal do PT (SP) e ex-ministro da Saúde, defende que o prêmio seja atribuído aos profissionais que estão demonstrando solidariedade em vários países do mundo no combate à Covid-19. 

"Estou animado com essa possibilidade. É uma indicação extremamente justa. Os Médicos Sem Fronteiras, na época liderado por um médico francês, já foram honrados como um Nobel da Paz. A história dos médicos cubanos é de décadas", ressalta Padilha, que comandou a pasta da Saúde entre janeiro de 2011 e fevereiro de 2014. Na sua gestão foi criado o programa Mais Médicos, que permitiu a ida de profissionais de saúde de Cuba ao Brasil.

"Quando fizemos o programa mais Médicos no Brasil, as brigadas de médicos cubanos já tinham passado por mais de 60 países, em vários continentes. Eles estão dando mais uma demonstração de dedicação, compromisso, cuidados com a saúde neste momento da Covid-19, estando presentes em vários países", afirma.

Recentemente a bancada do PT na Câmara expressou apoio à mobilização iniciada em junho deste ano e que conta com diversos núcleos e ações para viabilizar a indicação dos médicos cubanos para o prêmio Nobel da Paz. Para Padilha, a atual pandemia é a ocasião para valorizar o trabalho de profissionais de um país pobre e que vive há décadas sob um rígido bloqueio econômico. 

"A gente assiste neste período de pandemia muitos países ricos comprando respiradores mecânicos e fazendo ações de cooperação com outros países. Recentemente, [Donald] Trump anunciou que comprou todos os estoques de vacinas de duas empresas. Quando vemos nações ricas neste momento pensando só em si, utilizando seu poder político como poder econômico diante de outras nações, ver médicos e médicas de um país pobre se dispondo a exercer solidariedade para o mundo e salvar vidas, eu diria que o Prêmio Nobel da Paz será um grande reconhecimento à dedicação desses médicos e médicas e servir de exemplo até para outros países ricos. Que bom seria se os países ricos pudessem colocar à disposição brigadas de médicos e enfermeiros ao invés de exércitos, militares e armas pelo mundo", argumenta.  

Crime de responsabilidade

Além da campanha a favor dos médicos cubanos, Alexandre Padilha se engajou recentemente em uma nova batalha contra o governo federal. No dia 28 de julho encaminhou uma queixa-crime à Procuradoria-Geral da República contra o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, por crime de responsabilidade e espera que a denúncia seja levada e julgada pelo Supremo Tribunal de Justiça. 

Em junho, o deputado petista solicitou por meio do Congresso Nacional um conjunto de informações ao Ministério da Saúde sobre as regras, avaliação e medidas tomadas pelo governo federal na gestão da crise do novo coronavírus. "A falta de transparência nos dados, nas iniciativas e nas decisões têm sido uma marca dessa ocupação militar que o Ministério da Saúde sofre a mais de 60 dias. A Constituição brasileira estabelece uma obrigação para os presidentes da República e os ministros de Estado de prestar informação ao Congresso Nacional em um prazo máximo de 30 dias", justifica.

Sem resposta do governo no prazo  estabelecido, como determina a Constituição Federal, Padilha recorreu à PGR. Um dos principais questionamentos do ex-ministro é sobre a recomendação por parte do Ministério da Saúde, para a compra e distribuição da hidroxicloroquina, um medicamento que ainda não tem eficácia garantida no combate à Covid-19. 

"Muitos recursos públicos estão sendo investidos, uma distribuição quase que forçando os estados e obrigando os profissionais lá na ponta a prescrever esse medicamento. Temos vários estudos, inclusive aqui no Brasil, dizendo que a hidroxicloroquina produz muitos eventos adversos", alega o deputado, que exige da equipe técnica do ministério esclarecimento sobre a existência de um sistema de monitoramento dos efeitos colaterais e indesejáveis do medicamento.  

Como médico e infectologista, Alexandre Padilha lembra ter usado a cloroquina na região amazônica, onde trabalhou por seis anos, e coordenou um núcleo da USP com populações indígenas e ribeirinhas. Na ocasião, ele trabalhou com o medicamento no combate à malária na região. "Num primeiro momento, quando começaram a aventar a possibilidade de usar a cloroquina e hidroxicloroquina para tratar a Covid-19, eu torci muito, tinha esperança porque seria uma droga de fácil produção e não tem mais patente exclusiva", argumenta. 

No entanto, Padilha disse ter aguardado os resultados de estudos e pesquisas científicas antes de tomar uma postura de recomendar ou não seu uso. "Vários estudos clínicos internacionais, inclusive aqui no Brasil, já mostraram com muita clareza que a hidroxicloroquina não apenas não tem eficácia, não reduziu mortalidade, a carga viral na detecção do exame, mas dependendo da dose, gerou reações adversas muito graves, com doses baixas reações adversas de leve para moderada e tenho certeza que o Bolsonaro sabe disso", afirma.

"Estão fazendo propaganda de um medicamento que não tem eficácia e estão distribuindo sem dar o suporte de monitoramento dos efeitos adversos que o próprio presidente teve. Isso só agrava a irresponsabilidade dele e do ministério", garante o deputado.

Governo genocida

Co-autor de um projeto de lei para estabelecer garantias e direitos de povos indígenas em relação à Covid-19, Padilha acusa o governo de negligência com as populações mais vulneráveis e de vários crimes.  

"É uma gestão que comete crimes sucessivos, entre eles o de genocídio", afirma, em meio à expectativa do resultado de uma análise pelo STF da liminar do ministro Luís Roberto Barroso que exige do governo federal, entre outras medidas, a criação de barreiras sanitárias ao redor de terras demarcadas para proteção dos índios da Covid-19

"O fato de não ter tido ações concretas por parte do governo federal, fez com que no Congresso Nacional fosse aprovado o projeto de lei,construído por vários partidos, até da base governista, para estabelecer garantias e direitos para os povos indígenas nesse momento da pandemia, como o acesso à agua potável, a medicamentos, barreiras sanitárias para impedir o acesso de pessoas contaminadas nas áreas indígenas. O presidente vetou 16 dos 21 artigos. Houve um ato deliberado", diz.

Vários partidos de oposição e entidades de proteção aos direitos dos indígenas entraram então no STF para exigir que o governo federal adote ações concretas para garantir os direitos do povos indígenas. "Tanto o Judiciário quanto o Congresso têm tido um papel decisivo diante dessas ações de um projeto genocida por parte do presidente Bolsonaro", insiste.

O deputado Padilha também diz apoiar iniciativas que buscam mobilizar à comunidade internacional contra a gestão da crise sanitária e o tratamento dispensado aos povos indígenas por parte do governo

"A saída dos povos indígenas de seus territórios significa uma ameaça à Amazônia brasileira e esse crescimento de casos (de coronavírus)  coloca em risco também outros países da América do Sul que fazem fronteira com o Brasil. É muito importante que a comunidade internacional se mobilize e olhe cada vez mais para as posturas genocidas do presidente Bolsonaro no nosso país não só para proteger nossa população brasileira que está em risco, são mais de 95 mil óbito confirmados, mas todo o o conjunto de populações da América do Sul e áreas que são patrimônio do país, como a Amazônia brasileira, de importância para o mundo como um todo", finaliza.

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