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OMS adverte que pode não haver solução para COVID-19, que castiga América Latina

03/08/2020 22h33

Melbourne, 4 Ago 2020 (AFP) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu nesta segunda-feira (3) que talvez nunca exista uma "solução milagrosa" contra a pandemia de COVID-19, no momento em que a América Latina e o Caribe superam a marca de 5 milhões de casos e o Peru, um dos países mais afetados da região, sofre com um novo surto.

A propagação do novo coronavírus, responsável por 691.000 mortes e 18,1 milhões de casos no mundo, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais, ganha velocidade, seis meses depois de a OMS declarar emergência mundial.

"Não há solução milagrosa e talvez nunca exista", indicou o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que lembrou que, apesar da "esperança" gerada pelos testes clínicos, isto não significa, "necessariamente, que teremos uma vacina eficaz".

Os números de contágios e óbitos seguem crescendo. Na América Latina e no Caribe, os casos superam os 5 milhões, com mais de 220.000 óbitos.

- Surto no Peru -O Peru enfrenta um surto com um incremento de contágios e mortes significativo, um mês depois de iniciar a fase de suspensão gradual do confinamento para reativar a economia.

Cateriano pediu aos 33 milhões de peruanos que respeitem as medidas básicas de segurança, no momento em que o Peru se aproxima dos 430 mil infectados e 20 mil mortos pela pandemia.

Desde que o governo autorizou o a flexibilização do confinamento, em 1º de julho, em 17 das 25 regiões do país e liberou o transporte nacional aéreo e terrestre, o número de infectados quase dobrou, passando de 3,3 mil a 6,3 mil, segundo cifras oficiais.

A situação também é complicada para os povos indígenas do Brasil, país líder na América Latina em contaminações e mortes em números absolutos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta segunda-feira um julgamento-chave para proteger os indígenas do novo coronavírus, que continua avançando nas aldeias, em meio a denúncias de omissão pelo governo de Jair Bolsonaro.

Mais de 600 indígenas morreram e ao menos 21.000 foram diagnosticados com COVID-19, de acordo com dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que denuncia um "genocídio" dos povos originários pela "omissão do governo".

"É inaceitável a inação do governo - talvez de todos até aqui, em alguma medida - em relação à invasão das terras indígenas, ainda mais em razão do grave risco que representa para a prática de crimes ambientais", criticou Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da causa.

- Oásis -Na América Central, o vírus também faz estragos. A Guatemala, por exemplo, superou nesta segunda-feira a marca de 2.000 óbitos, após uma semana de reabertura progressiva. Mesmo se o número de contaminações e mortos não diminuir, a reabertura da atividade econômica no país será mantida.

Já a Costa Rica, que sofre com uma forte propagação do vírus, anunciou a suspensão de todas as atividades com potencial de aglomeração em massa até o fim de 2020, o que inclui as tradicionais comemorações de fim de ano e a Maratona de San José.

A Argentina, que superou os 200.000 casos e se aproxima de 4.000 óbitos pela COVID-19, proibiu as reuniões sociais a partir desta segunda-feira em todo o país. Também foi suspensa a flexibilização parcial do confinamento que estava prevista para entrar em vigor nesta segunda-feira na região metropolitana de Buenos Aires, diante do aumento do número de contágios e do temor de saturação da capacidade hospitalar.

E, como um oásis no meio do deserto, o Uruguai, que já retomou grande parte de suas atividades, incluindo as aulas presenciais, também reabriu nesta segunda-feira teatros, cinemas e museus, fechados há cinco meses.

O pequeno país, de 3,4 milhões de habitantes, teve sucesso no controle da pandemia sem a imposição de uma quarentena obrigatória, registrando, até o momento, cerca de 1.300 casos e 36 óbitos por COVID-19.

- 'Propagação extraordinária' -Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump, furioso com o que considera uma cobertura midiática negativa de sua gestão da pandemia, criticou sua assessora na Casa Branca, Deborah Birx, "por ceder à pressão" e afirmar que "o vírus se propagou de forma extraordinária" no país.

De fato, os Estados Unidos são o país mais atingido do mundo pelo coronavírus em números absolutos, com 4,7 milhões de contágios e 155.300 óbitos.

"O que observamos agora é diferente do que acontecia em março e abril", declarou Birx, que coordena o grupo de trabalho da Presidência americana sobre o novo coronavírus.

"Deborah mordeu o anzol e nos atingiu. Patética!", tuitou o presidente republicano.

Países que pareciam ter controlado a pandemia voltam a sofrer com novos surtos preocupantes, como Espanha, França e Bélgica. "O vírus circula intensamente em nosso território. Os números continuam crescendo", lamentou Frédérique Jacobs, porta-voz do centro de crise da Bélgica.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, pediu nesta segunda-feira à população que "não baixe a guarda", porque "o vírus não está de férias" e o objetivo é "evitar um novo confinamento generalizado".

Na Austrália, o governo impôs novas medidas de restrição no estado de Victoria, apesar das duras consequências econômicas que isto provocará na região.

As medidas incluem um toque de recolher de seis semanas em Melbourne, a segunda maior cidade australiana, e o fechamento de comércios e empresas não essenciais.

As Filipinas voltaram a estabelecer um confinamento de duas semanas para mais de 27 milhões de pessoas, incluindo a capital, Manila, devido ao aumento dos casos de COVID-19, que superam os 100.000 naquele país.

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