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Presidentes de Itália e Eslovênia fazem encontro histórico

13/07/2020 09h54

TRIESTE, 13 JUL (ANSA) - Pela primeira vez na história, o presidente de um país integrante da antiga Iugoslávia prestou homenagem a vítimas italianas de um massacre promovido pelas tropas do marechal Josip Broz Tito após a Segunda Guerra Mundial.   

Em um evento sem precedentes, os presidentes da Itália, Sergio Mattarella, e da Eslovênia, Borut Pahor, se reuniram nesta segunda-feira (13) para relembrar o Massacre das Foibe, quando milhares de pessoas que se opunham à anexação da região italiana de Friuli Veneza Giulia pela Iugoslávia foram assassinadas.   

As vítimas eram jogadas com ou sem vida em buracos formados pela ação da água no solo, chamados na Itália de "foibe". Estimativas apontam que de 5 mil a 17 mil italianos morreram na perseguição iugoslava, sendo que a maioria residia na cidade de Trieste e nas regiões croatas da Ístria e da Dalmácia.   

De mãos dadas, Mattarella e Pahor depositaram uma coroa de flores na foiba de Basovizza, onde os iugoslavos teriam jogado os corpos de 2 mil italianos, e outra em um monumento por quatro eslovenos executados em 1930, durante o regime fascista, e que se tornaram símbolo da resistência da minoria eslava contra Benito Mussolini.   

Em seguida, os dois chefes de Estado presenciaram a assinatura de um protocolo de entendimento que transfere a propriedade do edifício Narodni Dom, incendiado pelos fascistas em 13 de julho de 1920, a uma fundação constituída por associações da minoria eslovena em Trieste, capital de Friuli Veneza Giulia.   

No início do século 20, o prédio abrigava o Hotel Balkan, um teatro e um café eslovenos. Até a restituição para a comunidade eslovena, sediava um departamento da Universidade dos Estudos de Trieste. Os dois presidentes também condecoraram o escritor ítalo-esloveno Boris Pahor, que tinha sete anos na época do incêndio e é a única testemunha viva do crime.   

"Hoje, aqui em Trieste com o amigo e presidente Borut Pahor, marcamos uma etapa importante no diálogo entre as culturas presentes nesta área de fronteira, que tornam essa região preciosa para a vida da Europa", disse Mattarella em seu discurso na sede da Prefeitura de Trieste.   

Segundo o presidente da Itália, a história e as experiências dolorosas vividas pelas populações locais não podem ser esquecidas. "É exatamente por essa razão que o presente e o futuro devem chamar à responsabilidade", acrescentou.   

Já o presidente Pahor afirmou que a restituição do Narodni Dom "corrigiu o errado" e "fez justiça" aos eslovenos. "É um dia de festa, porque estamos celebrando juntos, Itália e Eslovênia, um objetivo compartilhado", disse. (ANSA)
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