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Infectologista prevê máscara obrigatória no país pelo menos até fim do ano

Mulher veste cores do Brasil e usa máscara durante pandemia do novo coronavírus - Alexandre Schneider/Getty Images
Mulher veste cores do Brasil e usa máscara durante pandemia do novo coronavírus Imagem: Alexandre Schneider/Getty Images
do UOL

Do UOL, em São Paulo

12/07/2020 18h44

Sergio Cimerman, médico infectologista e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, acredita que o uso de máscara deve ser obrigatório no Brasil pelo menos até o fim de 2020 e disse esperar que as pessoas denunciem quem não utilizá-la em locais públicos.

"Esse é o novo normal que nós vamos viver, e provavelmente até o fim do ano a gente deve ter o uso obrigatório de máscaras. E as pessoas vão ter de se acostumar. Vai ser um acessório a mais que as pessoas vão ter, como a gente sai com o nosso documento de identificação, com a chave do carro, o relógio, adornos nas mulheres...", opinou Cimerman à GloboNews.

"A máscara também faz parte do dia a dia. É inadmissível, hoje, uma pessoa adentrar ou circular perante outras pessoas sem utilizar máscara. O cidadão deve denunciar a pessoa que não estiver utilizando a máscara. Hoje, o educado é usar máscara; mal educado é o que não usa e não colabora com todos nós", completou o infectologista.

O Brasil registrou nas últimas 24 horas mais 631 mortes causadas pelo novo coronavírus, de acordo com último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde. Além dos novos óbitos, que elevaram o total a 72.100, o país também confirmou mais 24.831 novos casos da doença. Agora, o total de infectados é de 1.864.681.

Leia mais da entrevista de Sergio Cimerman:

Construção de hospitais de campanha no interior?

Eu acho que [a construção de hospitais de campanha no interior] precisa ser discutida, mas com mais parcimônia, com mais tranquilidade. Por exemplo, São Paulo desativou o hospital de campanha do Pacaembu, mas tem o do Ibirapuera, que está tendo um fluxo adequado para cidades como Campinas. A gente tem de ter uma interação mais forte entre os governos estaduais e municipais para ver essa flexibilização de leitos, como vai ser coberta essa rede e como vai ser colocada à população. Fazer um gasto desnecessário, com compras de novos respiradores... Tendo hospitais que, mesmo que não sejam na cidade do paciente, mas para os quais ele possa se transferir com total tranquilidade, sem colocar em risco a vida, a gente pode esperar. A gente tem de ter total tranquilidade nessa hora e avaliar o recurso público de modo adequado para gastar no que a gente realmente precisa para a população e não ter um gasto desnecessário.

Hoje, a gente precisa ter o que se chama de recursos humanos, o RH adequado. Eu preciso ter desde a pessoa que faz a limpeza até o médico intensivista, o médico generalista, o médico infectologista que vai atender o paciente na linha de frente. Se a gente não tem todos esses profissionais envolvidos e contratados, de que adianta ter vários leitos e vários respiradores? Isso não vai ser benéfico. A gente tem de usar o máximo que a gente tem, guardar esse recurso. Para que, quando for necessário - e a gente espera que isso não aconteça, porque o Brasil já está, na grande maioria de estados e municípios, chegando no estágio de platô -, a gente possa utilizar recurso de modo adequado. Sem ver notícias de superfaturamento de respiradores, de máscaras etc.

Pode haver colaboração de municípios e estados para alocação de recursos?

Quando a gente observa a questão médica, sempre é possível. Mas existe uma questão política na pandemia. Tem essa dificuldade de interlocução. O governo federal não se coloca como a base que deveria dar o Norte para todos os locais. Se a gente tem uma polarização com os defensores da hidroxicloroquina contra quem não toma cloroquina, quem usa ivermectina e quem não deve usar, assim por diante, fica complicado. A questão política, hoje, tem sido um fato importante, negativo, e acaba prejudicando a nossa população.

'Interiorização' do novo coronavírus no Brasil

O Brasil é muito grande demograficamente e, agora, estamos vivendo esse período de flexibilização em quase todos os municípios. E aí a gente vai ter de avaliar cada um em separado, essa é a questão. A gente não pode avaliar um conjunto global. O estado de São Paulo sofre um processo de interiorização em algumas cidades, não todas. Você tem Campinas, Presidente Prudente, Ribeirão Preto com número excessivo de casos, e aí levando a um provável colapso do sistema público de saúde, sobretudo nas unidades de terapia intensiva. Mas quando você observa a capital, você vê uma estabilização, número menor de mortes, número menor de casos, e a gente já está em um platô. A cidade de São Paulo já se encontra em um platô, e teve uma flexibilização com certo cuidado. E a população tem observado sobretudo pela questão do uso de máscaras, isso é muito importante. Apesar de existir a multa, que é um caráter de alerta, a gente vê que hoje, a cada 10 pessoas, nove usam máscara. A despeito do início da pandemia, em março, em que a cada 10 pessoas havia uma usando máscara. Esse é um fator que vai ajudar, junto com o distanciamento e a higienização das mãos, a termos uma diminuição do número de casos, internações e mortes.

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