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"Saiu apontando a arma e atirando", diz amigo de mototaxista morto por PM

7.jul.2020 - Matheus Martins (foto), que estava na garupa da moto conduzida por Matheus Oliveira, protestou em frente à DH da Capital - Herculano Barreto Filho/UOL
7.jul.2020 - Matheus Martins (foto), que estava na garupa da moto conduzida por Matheus Oliveira, protestou em frente à DH da Capital Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL
do UOL

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

08/07/2020 11h40

Matheus Martins, que estava na garupa da moto conduzida por Matheus Oliveira quando ele foi atingido por um tiro na cabeça disparado por um PM na noite de 30 de maio próximo ao Morro do Borel, na Tijuca, zona norte do Rio, relembra em detalhes como ocorreu o crime. A identidade do atirador não foi revelada pela polícia.

O policial militar que atuava na UPP do Borel foi indiciado ontem (7) por homicídio doloso —quando há intenção de matar. Mas responde ao crime em liberdade por ter colaborado com as investigações, diz a polícia. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público. Ao ser abordado em uma rua pouco iluminada, o mototaxista se assustou e manobrou para deixar o local. Mas acabou sendo baleado.

Matheus Martins usava ontem uma máscara de proteção com a foto do amigo morto e a frase: "Mais um jovem morador de comunidade assassinado pelo Estado". Ele participou de um ato com a presença de cerca de 20 pessoas em frente à DH da Capital (Delegacia de Homicídios da Capital), na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, responsável pela investigação.

Martins revelou ter percebido a presença de dois policiais a cerca de 20 m.

Eles estavam no escuro e saíram da calçada, gritando para a gente parar. O Matheus se assustou e virou a moto. Um policial saiu apontando a arma e atirando

Após a queda da moto, o amigo da vítima diz ter aguardado por cerca de 40 minutos até a chegada da ambulância. "Ele ainda estava vivo. Estava suando muito. Não conseguia falar. Só acenava com a mão, para que eu o abanasse", contou.

Ele disse não ter percebido que o disparo tinha atingido a cabeça de Matheus, que usava capacete.

Ato em frente à delegacia em protesto pela morte de mototaxista baleado por PM

É muito despreparo. Meu filho não oferecia risco nenhum a eles [policiais responsáveis pela abordagem]. A gente bota filho no mundo pra morrer assim?

Luiz Henrique Pereira da Silva, pai de Matheus

Matheus, que trabalhava como contínuo, mototaxista, barbeiro e motorista de aplicativo, deixou um filho de apenas 3 meses.

A DH da Capital identificou a autoria do crime com base em depoimento de testemunhas, análise de câmeras de segurança, perícia no local do crime e confronto balístico. A pistola da corporação usada pelo policial militar para atirar foi entregue à Polícia Civil. Segundo a investigação, foram efetuados dois disparos.

"A equipe de peritos criminais realizou o confronto balístico com o projétil retirado do corpo da vítima e de um estojo encontrado no local. E foi possível identificar o agente que foi autor do disparo", disse o delegado Bruno Araújo Ciniello, responsável pela apuração do caso.

Segundo o delegado, o PM disse em depoimento não ter percebido que o disparo tinha atingido a vítima. Sobre uma possível omissão de socorro, informou que o Corpo de Bombeiros foi acionado pelos dois agentes na ocorrência, que atuavam na UPP do Borel.

A PM-RJ (Polícia Militar do Rio) afirmou que os policiais envolvidos no caso foram transferidos para outras unidades para atuar em serviços administrativos.

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