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Washington e outras cidades dos EUA protestam contra a violência policial

06/06/2020 16h16

Washington, 6 Jun 2020 (AFP) - Manifestantes avançavam neste sábado (6) em direção à Casa Branca para um protesto multitudinário em um contexto de agitação nos Estados Unidos pela morte de George Floyd, que reacendeu um debate sobre a desigualdade racial.

Cinco meses antes da eleição presidencial e em um momento em que os Estados Unidos ainda lutam contra o coronavírus, a morte em 25 de maio em Minneapolis do afro-americano sufocado por um policial branco, provocou uma mobilização que esperava reunir neste sábado dezenas de milhares de pessoas em Washington.

O incidente motivou um debate sobre a violência policial e as desigualdades exacerbadas pela crise da pandemia, que mostrou que os cidadãos negros sofrem com taxas de mortalidade desproporcionais e de desemprego mais elevadas.

São esperadas mobilizações em grandes cidades como Nova York, Miami, Chicago ou Los Angeles e neste sábado milhares de pessoas também se manifestaram em Londres, Pretória, Paris, Berlim e Sydney, entre outras cidades.

Em Washington, sob um sol constante, os manifestantes se aproximavam da Casa Branca, protegida por uma forte presença policial, enquanto vários helicópteros sobrevoaram a cidade.

Na praça La Fayette, em frente à residência presidencial, vários metros de cerca bloqueavam a passagem. O local foi fechado depois que um protesto no fim de semana passado terminou em tumulto.

Os manifestantes colaram fotos de vários americanos negros que morreram em casos de brutalidade policial.

Patricia Thompson, uma negra de 55 anos, disse esperar que este seja um ponto de virada na história americana.

"Sinto como se estivéssemos lutando, lutando e lutando e que de repente tudo cedeu", disse ela, referindo-se ao debate que agita a sociedade sobre o racismo institucional que afeta empresas e organizações em todo o país.

Em Washington, a prefeita democrata Muriel Bowser enfrenta o presidente Donald Trump, que ordenou uma repressão a um protesto do lado de fora da Casa Branca na segunda-feira.

Na sexta-feira, o prefeita renomeou esse ponto da cidade como Black Lives Matter. Os ativistas pintaram essa mensagem na calçada em letras amarelas.

- Bandeiras a meio-mastro na Carolina do Norte -Depois que Floyd foi homenageado em Minneapolis, uma despedida foi programada para este sábado em Raeford, na Carolina do Norte, seu estado natal, onde as autoridades ordenaram que as bandeiras fossem colocadas a meio-mastro.

Seus caixão foi recebido por uma multidão que o aplaudiu. Milhares de pessoas formaram fila para se despedir de Floyd, protegidas por sombrinhas em um dia de calor tórrido no sul dos Estados Unidos.

As mobilizações levantaram ainda um novo debate nos Estados Unidos: a repressão aos protestos, considerados os mais importantes desde a década de 1960, durante o período da luta pelos direitos civis.

Novas imagens divulgadas mostram um policial empurrando um idoso e vários outros agentes passando por ele enquanto o homem sangrava no chão em Buffalo, Nova York, provocaram indignação e a suspensão de dois policiais.

Essa série de protestos representa um dos grandes desafios para a tumultuado governo de Trump. O presidente condenou a morte de Floyd, mas também se referiu aos manifestantes como "bandidos" e "terroristas" e foi acusado de agravar as tensões.

Um grupo de direitos humanos entrou com uma ação contra Trump depois que as forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo em um protesto pacífico. No fim de semana passado, houve tumultos, com saques, em paralelo às manifestações.

Após esses distúrbios, autoridades decretaram inéditos toques de recolher que já foram levantados em Washington, Los Angeles e outras cidades, mas continua em Nova York com restrições.

Essas manifestações ocorrem em um momento em que o país ainda não superou a pandemia do novo coronavírus e muitos especialistas alertaram que essas mobilizações poderiam alimentar novos surtos.

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