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Menos controles sanitários na Alemanha, apesar de salsichas fatais

Ben Knight (av)

14/12/2019 15h56

De 2014 a 2015, salsichas contaminadas causaram pelo menos três mortes na Alemanha. Porém documentos vazados do Ministério do Consumidor revelam intenção de reduzir as inspeções em estabelecimentos alimentares.A organização alemã de consumidores Foodwatch expressou perplexidade quanto a supostos planos governamentais de reduzir a frequência dos testes de segurança nas fábricas de alimentos. As mudanças no regime de inspeção coincidem com escândalos fatais envolvendo carne, que abalam a confiança da população.

Segundo documento interno do Ministério da Alimentação, Agricultura e Proteção do Consumidor da Alemanha, vazado e publicado em novembro pela Foodwatch, inspeções obrigatórias em instalações de "alto risco", como fábricas de salsichas, poderiam ser realizadas a cada trimestre, em vez de mensalmente. Em outros locais de alto risco, os controles passariam de diários a semanais.

O anúncio coincide com um maior grau de apreensão com a segurança sanitária no país. Em outubro emergiram relatórios de que entre 2014 e 2019 houve três mortes e 37 casos de doença relacionados à companhia Wilke, sediada em Hessen, onde foram encontradas salsichas contaminadas com a bactéria listeria.



Seguiram-se recalls de carne exportada em âmbito mundial. O caso evoca o escândalo da salmonela de 2015, em que ovos contaminados mataram pelo menos uma pessoa na Baviera.

Para a ONG, a redução representa "um maciço enfraquecimento da segurança alimentar na Alemanha": "Os planos são completamente insanos", declarou em comunicado seu diretor, Martin Rücker, para quem "controles de segurança alimentar não podem depender da situação orçamentária nem de capricho político".

Na Alemanha, a frequência das inspeções alimentares é determinada por uma avaliação de risco dos estabelecimentos em questão, com açougues sendo inspecionados com frequência maior do que lojas que só vendem comida empacotada.

Justificando a nova proposta, a ministra alemã da Alimentação, Agricultura e Proteção do Consumidor, Julia Klöckner, declarou que os exames precisavam ser modernizados e regulados em todo o país, com "os recursos para controles oficiais de segurança alimentar focados mais efetivamente em 'estabelecimentos-problema'". Ou seja, negócios com ficha limpa seriam menos controlados do que outros.



No caso da fábrica de salsichas Wilke, o jornal local Waldeckische Landeszeitung noticiou neste sábado (14/12) que entre 2015 e 2017 foram realizadas apenas nove inspeções, embora 22 estivessem agendadas. Na época, a Wilke constava da terceira mais alta categoria de risco, significando que deveria ser submetida a um exame por mês.

O Ministério da Agricultura culpou as autoridades locais pela negligência, alegando que, caso informado, teria ativado a força-tarefa ministerial especificamente destinada a tratar desse tipo de lacuna. Segundo a associação de inspetores sanitários da Alemanha, porém, há falta de cerca de 1.500 profissionais no país.

Nesta sexta-feira, em reação direta ao escândalo da Wilke, o parlamento estadual de Hessen aprovou uma emenda dando mais poder ao Ministro do Consumidor para intervir em questões locais de segurança alimentar.

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Autor: Ben Knight (av)

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