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Alta da XP após IPO leva Benchimol a fortuna de US$ 1,2 bilhão

Felipe Marques e Tom Maloney

11/12/2019 19h08

(Bloomberg) -- Guilherme Benchimol decidiu criar sua própria empresa quando tinha 24 anos com apenas R$ 10.000 na conta bancária e depois de ser demitido de uma corretora. Agora, aos 43 anos, o sucesso desse empreendimento o colocou no clube dos brasileiros mais ricos do mundo.

A fortuna de Benchimol disparou na quarta-feira para cerca de US$ 1,2 bilhão após a oferta pública inicial de ações da XP em Nova York. As ações da corretora que ele ajudou a fundar abriram a US$ 32,75 - acima do preço do IPO de US$ 27 - e subiram até 28%, fazendo com que sua participação somasse aproximadamente US$ 1 bilhão. Ele também vendeu US$ 200 milhões em ações da oferta, segundo cálculos da Bloomberg com base no prospecto.

"Não descansaremos enquanto não transformarmos por completo o sistema financeiro brasileiro e melhorarmos a vida das pessoas", escreveu Benchimol, presidente da XP, em carta aos clientes após a abertura de capital. A empresa é o seu "projeto de vida", disse ele.

Inspirado pela corretora Charles Schwab, uma das maiores dos Estados Unidos, a XP está na ponta da transformação de como os brasileiros investem, oferecendo aos investidores de classe média produtos que antes estavam disponíveis apenas para os ricos. A XP, maior corretora do Brasil em volume de negociação de ações, está atraindo dinheiro dos maiores bancos do país em ritmo vertiginoso.

A empresa tinha mais de 1,5 milhão de clientes e R$ 350 bilhões em ativos sob custódia até setembro, segundo o prospecto do IPO. Benchimol disse no ano passado que espera chegar a R$ 1 trilhão de reais sob custódia até o final de 2020. Os cinco maiores bancos do Brasil respondem por 93% dos R$ 8,6 trilhões em ativos de investimento sob custódia no país, segundo relatório de Oliver Wyman.

A XP não comenta sobre a fortuna de Benchimol ou sua participação na empresa.

A XP foi fundada em 2001 por Benchimol e Marcelo Maisonnave, que mais tarde deixou a empresa, nome que veio de XPTO. Depois de um ano, Benchimol teve que vender seu carro e pegar emprestado R$ 5.000 reais de seu meio-irmão, Julio Capua, para manter o negócio de pé, operando apenas como corretora de ações.

A empresa foi reinventada após a crise econômica de 2008, quando a Benchimol participou de um evento da Charles Schwab em São Francisco. Isso o inspirou a seguir o modelo da Schwab, criando um "one-stop shop" para investimentos no Brasil, costuma dizer Benchimol.

Benchimol apareceu na Nasdaq na quarta-feira envolto na bandeira do Brasil e fez um discurso rápido e emocionado, coroado por uma música associada ao seu ídolo, Ayrton Senna, morto em 1994. Benchimol disse em entrevista à Bloomberg no final do ano passado que admirava Senna principalmente por suas "vitórias impossíveis", algo que ele vem imitando na XP.

--Com a colaboração de Vinícius Andrade.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Taís Fuoco, tfuoco1@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Felipe Marques em São Paulo, fmarques10@bloomberg.net;Tom Maloney New York, tmaloney38@bloomberg.net

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