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Merkel cede à pressão e pode impor barreiras à Huawei

Patrick Donahue, Birgit Jennen e Stefan Nicola

13/11/2019 14h21

(Bloomberg) -- O governo da chanceler alemã Angela Merkel pode fazer uma concessão importante às autoridades de segurança, reforçando as barreiras contra a fornecedora de equipamentos chinesa Huawei Technologies, segundo pessoas a par dos planos.

Um projeto de medidas de segurança em análise pelo governo alemão visa impedir que os componentes da Huawei sejam usados na principal rede de tecnologia de quinta geração ultraveloz do país, disseram as pessoas sob condição de anonimato. As novas regras podem apaziguar os ânimos de autoridades dos serviços de inteligência de Merkel e do governo dos EUA, que alertaram sobre os riscos dos laços da Huawei com o governo chinês e sobre a suscetibilidade do 5G à sabotagem ou espionagem.

Executivos de telecomunicações estão preparados para aceitar essa restrição nas principais áreas de infraestrutura de próxima geração, se os produtos da Huawei não forem barrados de partes menos sensíveis, onde são necessários para garantir uma construção eficiente, de acordo com um executivo do setor com conhecimento das conversas.

A líder alemã, que cultivou relações com Pequim e insistiu que seu governo não bloquearia um fornecedor chinês, está sob pressão crescente para adotar uma postura mais rígida em relação à Huawei e, assim, garantir que os dados da Alemanha sejam protegidos. Autoridades de segurança acusaram Merkel e aliados no Ministério da Economia de adotarem uma linha branda com a China, em um esforço para reforçar as relações comerciais.

Agora, Berlim poderia incomodar Pequim, que pressionou governos da Europa e do Ocidente para resistir à campanha dos EUA contra a empresa. Medidas para restringir o acesso da Huawei ao mercado já azedaram as relações de Pequim com vários países.

As medidas de segurança incluiriam a avaliação da "confiabilidade" de um fornecedor para receber a certificação das autoridades alemãs, de acordo com uma das pessoas. As redes 5G também precisarão diversificar fornecedores, de modo que nenhum possa controlar partes da infraestrutura, e para incluir capacidade de sobreposição se partes da rede forem desconectadas, disse a pessoa.

A Huawei insiste que não representa nenhum risco para a infraestrutura da maior economia da Europa. David Wang, vice-presidente executivo da empresa na Alemanha, disse que não há razão para excluir uma empresa que atende ao setor de telecomunicações sem falhas há anos.

"Temos um histórico 100% limpo", disse Wang durante uma conferência sobre economia em Berlim. A Huawei nunca faria algo para prejudicar os negócios, afirmou.

--Com a colaboração de Peter Martin.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Patrick Donahue em Berlin, pdonahue1@bloomberg.net;Birgit Jennen em Berlin, bjennen1@bloomberg.net;Stefan Nicola em Berlim, snicola2@bloomberg.net

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