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C4 Cactus e Stepway: por que hatches em outros países são SUVs no Brasil

Lançado no fim de 2018, Citroën C4 Cactus foi convertido em SUV pela equipe de marketing da marca francesa no Brasil - Murilo Góes/UOL
Lançado no fim de 2018, Citroën C4 Cactus foi convertido em SUV pela equipe de marketing da marca francesa no Brasil
Imagem: Murilo Góes/UOL
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Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

21/09/2019 04h00

Quando os primeiros SUVs surgiram, lá no século passado, tinham características bem definidas: grande vão livre em relação ao solo, tração nas quatro rodas, caixa de marchas reduzida, cabine espaçosa e construção robusta - por padrão, do tipo carroceria sobre chassi, como picapes e caminhões.

Eram veículos capazes de encarar a lama e, ao mesmo tempo, oferecer comodidades até então disponíveis só em carros de passeio.

Com o passar dos anos, o conceito de SUV ficou bem mais abrangente: hoje pode ter só tração dianteira, dispensar a reduzida e trazer construção igual à de automóveis comuns - desde que a carroceria seja alta e as suspensões, elevadas. A maioria dos utilitários esportivos da atualidade é exatamente assim.

Como hoje os SUVs são responsáveis por mais de 25% dos emplacamentos no Brasil, as montadoras são praticamente obrigadas a ter produtos nesse segmento. Mesmo que isso signifique flexibilizar ainda mais o conceito original, adaptando um modelo de outra categoria e vendendo como utilitário esportivo.

No Brasil, essa estratégia de marketing é comum: hatches vendidos na Europa e em outros mercados são "reembalados" aqui como SUVs. O novo Renault Stepway é um exemplo: ao ganhar câmbio CVT, ficou mais alto em relação ao solo e passou a ser considerado um utilitário esportivo pela fabricante. Para reforçar a nova identidade, deixou inclusive de ser considerado uma versão do Sandero.

No caso da Renault, a empresa se baseou em critérios estabelecidos pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) para definir o que é um SUV.

Em relação especificamente a utilitários esportivos compactos, o instituto estabelece requisitos como massa em ordem de marcha de até 2.720 kg; não ter mais de nove assentos, incluindo o do motorista; altura livre do solo sob os eixos de no mínimo 180 mm; ângulo de ataque mínimo de 23 graus; ângulo de saída de pelo menos 20 graus.

Confira alguns exemplos de veículos que são vendidos como SUVs no Brasil e pertencem a categorias diferentes em outros mercados.

Renault Stepway

Stepway aumentou o vão livre em relação ao solo com a adição do câmbio CVT e agora é vendido como SUV - Murilo Góes/UOL
Stepway aumentou o vão livre em relação ao solo com a adição do câmbio CVT e agora é vendido como SUV
Imagem: Murilo Góes/UOL

O hatch chegou à linha 2020 com 185 mm de vão livre em relação ao solo na versão com transmissão CVT. Com isso, passou a ser considerado um SUV no material de divulgação para a imprensa, na publicidade e até no site oficial da Renault. Na Europa, onde é vendido com a marca Dacia, o Stepway ainda é uma versão do Sandero, anunciado como um hatch que traz características de utilitário esportivo.

Aqui, a Renault dá o mesmo tratamento ao Kwid, considerado pela marca o "SUV dos compactos".

Citroën C4 Cactus

Citroën C4 Cactus é considerado um hatch médio na França; aqui, é SUV compacto - Murilo Góes/UOL
Citroën C4 Cactus é considerado um hatch médio na França; aqui, é SUV compacto
Imagem: Murilo Góes/UOL

A Citroën precisava de um SUV compacto para concorrer com rivais como Jeep Renegade e Honda HR-V e lançou o C4 Cactus no Brasil no fim do ano passado. De fato, o representante da montadora no segmento tem carroceria mais alta e boa distância em relação ao solo. É vendido aqui apenas com tração dianteira, como outros utilitários esportivos "urbanos". Porém, na França a fabricante anuncia o Cactus como hatch médio.

Citroën Aircross

Citroën Aircross é anunciado como utilitário esportivo, mas na verdade é uma minivan - Murilo Góes/UOL
Citroën Aircross é anunciado como utilitário esportivo, mas na verdade é uma minivan
Imagem: Murilo Góes/UOL

Também vendido como SUV no País, o Aircross nada mais é que a versão aventureira de uma minivan compacta: a C3 Picasso, que já saiu de linha tanto aqui quanto no mercado europeu. Para dar cara de utilitário esportivo, a marca francesa acrescentou elementos como barras de teto, apliques de plástico nos para-choques, nas caixas de roda e na base das portas laterais - o Aircross já foi oferecido inclusive com estepe preso na tampa traseira para reforçar a aparência de SUV.

SUV Citroën C3 Aircross é o correspondente europeu do nosso Aircross - Divulgação
SUV Citroën C3 Aircross é o correspondente europeu do nosso Aircross
Imagem: Divulgação

Na Europa, o SUV pequeno da Citroën é o C3 Aircross, baseado na nova geração do C3 vendido naquele mercado e que traz proporções mais condizentes com as de um utilitário esportivo.

Honda WR-V

Honda WR-V foi lançado no Brasil em março de 2017 e na essência é um Fit - Divulgação
Honda WR-V foi lançado no Brasil em março de 2017 e na essência é um Fit
Imagem: Divulgação

O Honda WR-V nasceu no Brasil, onde a Honda tinha a necessidade de oferecer um SUV pequeno, posicionado abaixo do HR-V. A solução encontrada foi adaptar o hatch Fit com suspensões elevadas e aparência mais musculosa, trazendo capô, grade, faróis, lanternas traseiras e para-choques exclusivos.

Também recebeu os tradicionais apliques plásticos. Por dentro, traz cabine idêntica à do Fit e o mesmo motor 1.5 flex de 116 cv. Na Índia, onde o WR-V também é comercializado, o modelo é considerado pela Honda um MPV ou veículo de uso misto.

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