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Biden exige que Trump fale sobre o suposto pedido de investigação do filho do canditado democrta

20/09/2019 22h34

Washington, 21 Set 2019 (AFP) - Um suposto pedido de Donald Trump para o presidente da Ucrânia denunciado por um agente de inteligência desencadeou um escândalo político nos Estados Unidos nesta sexta-feira (20), e foi descrito como "corrupção" pelo pré-candidato democrata à presidência Joe Biden.

Trump classificou como "ridículo" o vazamento de uma denúncia feita por um agente de segurança que teria acompanhado sua conversa por telefone com o novo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, na qual supostamente o teria pressionado para investigar o envolvimento de Hunter Biden, filho do pré-candidato democrata, numa companhia de gás que pertence a um empresário do país europeu.

As acusações deflagraram uma dura queda de braço com o Congresso, já que os líderes democratas exigem ter acesso aos documentos. Até agora, o Executivo se negou a entregá-los.

O assunto continua cercado de interrogações, mas, segundo o jornal "The Washington Post", os vazamentos apontam para um intercâmbio de informações com a Ucrânia.

"É ridículo", disse ele aos jornalistas, acrescentando que o vazamento é "partidarista".

Segundo Trump, as acusações são "outro desastre da imprensa".

"O que posso dizer é que foi uma conversa totalmente apropriada", disse o presidente, afirmando que "não houve nada de ruim" em suas declarações.

- Biden pede a transcrição da conversa -Ao saber da denúncia, Biden, que é o favorito para vencer as primárias de seu partido para as eleições presidenciais de 2020, exigiu que Trump divulgue a transcrição do telefonema e classificou esse ato de "corrupção".

Trump "deve divulgar imediatamente a transcrição da chamada em questão para que o povo americano possa julgar por si próprio", disse o ex-vice-presidente do governo Barack Obama.

Ele também exigiu que o diretor nacional de inteligência "pare de obstruir" e revele ao Congresso a denúncia secreta sobre essa ligação.

"Uma corrupção tão clara danifica e diminui as instituições governamentais ao convertê-las em ferramentas pessoais de vingança política", afirmou Biden através de um comunicado.

- "Não obtivemos uma resposta" -Nesta sexta, citando dois ex-funcionários não identificados, o "Post" informou que a ligação denunciada pelo membro dos serviços de Inteligência tinha como destinatário alguém na Ucrânia e que, durante a conversa, Trump fez uma "promessa" de algum tipo.

O inspetor de Inteligência dos Estados Unidos, Michael Atkinson, compareceu na quinta-feira ao poderoso Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes, onde os democratas são maioria, para discutir a denúncia do informante. Declarou, porém, que não poderia fazer revelações sem autorização de seus superiores.

"Não obtivemos uma resposta, porque o Departamento de Justiça e o diretor de Inteligência Nacional (DNI) não permitiram que o inspetor Geral falasse conosco", disse à imprensa o presidente do Comitê, o democrata Adam Schiff, ao final de uma audiência de várias horas, realizada a portas fechadas.

O legislador democrata acrescentou que, sem o informe, não sabem se a matéria "é precisa, ou inexata". Ao mesmo tempo, o congressista ameaçou adotar ações legais, ou outros meios à disposição da comissão para obrigar o diretor de Inteligência Nacional a agir com maior transparência.

Trump se reunirá com o presidente da Ucrânia na próxima semana durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, informou Kiev nesta sexta-feira.

Biden é o favorito para a indicação do Partido Democrata para concorrer à Casa Branca. As pesquisas mostram que, em uma disputa com Trump, o ex-vice-presidente sairia vitorioso.

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