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É muito cedo para considerar o Samsung Galaxy Fold um fracasso

Matthew Kronsberg

2019-04-25T16:17:55

25/04/2019 16h17

(Bloomberg) -- Como muitos jornalistas, peguei um Samsung Galaxy Fold para fazer um "test drive". Mas, ao contrário de muitos jornalistas, meu aparelho de US$ 2 mil funcionou como foi projetado para funcionar: sem defeitos na tela dobrável ou problemas menores ou maiores. Outros, nas mãos de jornalistas especializados (como Mark Gurman, da Bloomberg Technology), apresentaram problemas quase que imediatamente, levando a Samsung a fazer um recall dos aparelhos em teste antes do previsto e pisar no freio de emergência para o lançamento.

Poucos hesitariam em chamar a situação da Samsung Electronics de pesadelo. Mas, seria um fracasso?

Para responder à questão, entrevistamos Samuel West, psicólogo clínico com sede em Helsingborg, na Suécia, com PhD em psicologia organizacional. Sua pesquisa se concentra em como as empresas podem fomentar culturas que levem à exploração e inovação, mas ele é mais conhecido como o fundador do Museu do Fracasso, uma coleção itinerante com mais de 130 produtos, cada um deles oferecendo uma lição frequentemente divertida de arrogância corporativa. Conversamos logo após o relato dos primeiros problemas e novamente após a Samsung ter anunciado o adiamento indefinido do lançamento do telefone.

Eu queria saber onde (e até mesmo se) o Galaxy Fold se encaixaria na coleção e que lições poderiam ser aprendidas com os problemas da Samsung.

A seguir, trechos da entrevista:

Você deve ter ficado animado quando viu os relatos sobre o Samsung Galaxy Fold.

Claro que, como curador do Museu do Fracasso, quero mais objetos. Mas não espero que as coisas fracassem. Eu não torço pelo fracasso.

Então, não sentiu nenhuma felicidade com o ocorrido?

Alguma 'schadenfreude' (alegria) definitivamente foi sentida. A Samsung não é uma empresa familiar do tipo: "Temos essa tecnologia realmente incrível e somos uma pequena equipe, estávamos tão animados em lançá-la, mas as coisas deram muito errado". É uma empresa enorme. Eu não sinto nenhuma empatia quando estragam o lançamento de um projeto extremamente caro.

O que a Samsung poderia ter feito diferente?

Além do óbvio de ajustar o produto antes de enviá-lo para revisão?

Além disso.

Os consumidores são indulgentes se você for transparente. Veja o caso da Tesla. Não acertaram muito com os primeiros carros. As pessoas foram muito indulgentes porque, como empresa, disseram: 'isso é novo, é emocionante, é caro, e vai apresentar muitos problemas ...e vocês são parte disso'. Mas dizer a um consumidor comum: 'pague por isso e funcionará perfeitamente'? É um jogo diferente.

O que a Samsung pode fazer agora?

Em algum momento, mesmo que os telefones não estejam com defeito, a Samsung vai precisar - de maneira transparente e confiável - dizer algo sobre isso. Não apenas: 'Vamos adiar o lançamento". Isso não é plausível. E, depois, se não houver defeitos, abordar isso e dizer que esses primeiros aparelhos em teste eram de um lote inicial com problemas, e os que estão em produção são bons. Acho que as pessoas acreditariam nisso.

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