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O que comiam répteis há 300 milhões de anos? Fóssil mostra dieta seletiva

2019-03-19T21:48:00

19/03/2019 21h48

O Gordodon, declarado o fóssil mais antigo de um réptil herbívoro e descoberto no Novo México (Estados Unidos) em 2013, causou uma revolução na compreensão da evolução herbívora, segundo uma pesquisa do Museu de História Natural do Novo México.

Gordodon reescreve os livros, fazendo nossa compreensão da evolução de tais herbívoros voltar em cerca de 100 milhões de anos

Spencer Lucas, curador de Paleontologia do Museu de História Natural e Ciência do Novo México

Lucas qualificou o achado de Gordodon, de 300 milhões de anos de antiguidade, como "uma das descobertas mais significativas".

Embora o esqueleto fossilizado de Gordodon esteja incompleto, seus restos, descobertos em 2013, mostraram que era um réptil que tinha uma dieta vegetal especializada, até então desconhecida para répteis de mais de 200 milhões de anos.

A estrutura avantajada do crânio, as mandíbulas e os dentes do réptil foram a chave para que Lucas e seus colaboradores determinassem que o fóssil representava um novo gênero e espécie que reescreveu a forma como os paleontólogos entendem a história de répteis herbívoros.

Em novembro de 2018, o fóssil, que embora não esteja completo, estava "excelentemente" conservado, foi levado ao Museu de História Natural, onde foi analisado.

Lucas, junto com o pesquisador Matt Celeskey, identificou o fóssil como uma nova espécie de herbívoro que, quanto a tamanho e peso, seria equivalente ao que hoje em dia é um cão labrador.

Outro aspecto significativo da descoberta é que se considerava que os primeiros herbívoros comiam todo tipo de plantas, mas o réptil achado no Novo México "também ingeria sementes e frutas", como fazem ovelhas, cervos e coelhos, segundo o pesquisador.

"Temos indícios de que o Gordodon era mais seletivo no que comia", disse Lucas em entrevista à Agência Efe em novembro do ano passado.

A previsão é que Gordodon volte na próxima sexta-feira ao Museu de História do Espaço em Alamogordo, no Novo México, depois de passar os últimos anos em Albuquerque, no mesmo estado.

O Gordodon, que media 1,5 metro de comprimento e pesava 34 quilos, foi descoberto em 2013 perto da cidade de Alamogordo por Ethan Schuth, durante uma viagem com sua turma de Geologia da Universidade de Oklahoma.

O grupo, liderado pela professora Lynn Soreghan, contatou Lucas e o museu de Albuquerque, entidade que se responsabilizou nos anos seguintes pela extração, tratamento e investigação do fóssil.

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