Topo
Notícias

PF prende pastores por compra de voto para atual prefeito de Manaus

Quantia estava fracionada em envelopes brancos numerados para ser entregue para 50 eleitores - Arquivo/Polícia Federal no Amazonas
Quantia estava fracionada em envelopes brancos numerados para ser entregue para 50 eleitores Imagem: Arquivo/Polícia Federal no Amazonas
do UOL

Do UOL, em São Paulo

26/10/2024 16h37Atualizada em 26/10/2024 21h30

Dois líderes religiosos foram presos por compra de votos durante a Operação Eleições 2024 em Manaus (AM).

O que aconteceu

Compras de voto foram feitas em nome do candidato Davi Almeida (Avante), atual prefeito. Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira, ambos pastores, são apontados pela PF como os apoiadores e responsáveis pela compra de votos, que ocorria no centro de convenções de uma igreja —um terceiro envolvido teria fugido do local durante a ação da autoridade policial.

A PF apreendeu mais de R$ 21 mil durante a operação. Após uma denúncia de que uma "reunião" com eleitores da capital foi convocada por religiosos, a PF identificou o crime eleitoral. Conforme depoimento de outros pastores, pelo menos R$ 38 mil foram distribuídos pelo mesmo grupo na noite anterior.

Pastores repassaram dinheiro recebido por "irmão da igreja" em Manaus - Reprodução/Policia Federal - Reprodução/Policia Federal
Pastores repassaram dinheiro recebido por "irmão da igreja" em Manaus
Imagem: Reprodução/Policia Federal

O candidato Almeida é citado seis vezes no auto de prisão em flagrante. O pastor Flaviano confirmou em depoimento à polícia que o dinheiro foi doado por um "irmão da igreja" que não teve o nome revelado, mas que está ligado à campanha de Davi Almeida.

Quantia estava fracionada em envelopes brancos numerados. Uma lista de presença com 50 assinaturas de eleitores também foi apreendida. Segundo a PF, a entrega dos envelopes seguia um fluxo organizado, com a participação de membros da igreja. "Havia forte indício de que se tratava de uma operação estruturada, em que o líder anotava os nomes, outro conferia e entregava o dinheiro", informou a Polícia Federal do Amazonas em nota.

Celulares também foram apreendidos. Duas pessoas foram presas em flagrante e mais três pessoas foram encaminhadas à Superintendência Regional da PF para prestar depoimentos.

Reunião foi montada com justificativa de "progresso para a comunidade". "Os presos poderão responder pelo crime de corrupção eleitoral em liberdade, após pagamento de fiança", alertou a PF. "A compra de votos é crime previsto no código eleitoral, que prevê pena de até quatro anos de reclusão, mais pagamento de multa."

A campanha de Davi Almeida foi procurada. Se houver resposta, essa reportagem será atualizada.

Operação Eleições no primeiro turno

No balanço do primeiro turno divulgado pela PF, 415 eleitores haviam sido presos até o dia 6 de outubro por crimes eleitorais. A PF contabilizou R$ 50,3 milhões em bens e valores apreendidos em operações de combate a crimes eleitorais, e R$ 21,7 milhões em espécie.

No dia da votação no primeiro turno, as principais infrações combatidas foram propaganda irregular e corrupção eleitoral. Foram registradas mais de 300 ocorrências de crimes eleitorais, das quais 93 deram origem a inquéritos policiais e 173 foram registradas em termos circunstanciados. Outras 34 ocorrências ainda se encontram em andamento.

Errata: este conteúdo foi atualizado
O candidato e atual prefeito de Manaus Davi Almeida, apesar de ser de direita, não é apoiado por Jair Bolsonaro. O candidato apoiado pelo ex-presidente é Capitão Alberto Neto (PL). A informação foi corrigida no texto e na chamada da Homepage do UOL.

Notícias

publicidade