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15 dias

O que Israel e o Hamas buscam com a escalada militar?

Fumaça e chamas em Gaza durante ataque aéreo de Israel  - 13.mai.2021 - Ibraheem Abu Mustafa/Reuters
Fumaça e chamas em Gaza durante ataque aéreo de Israel Imagem: 13.mai.2021 - Ibraheem Abu Mustafa/Reuters

Em Jerusalém (Israel)

15/05/2021 12h27

O movimento islâmico Hamas quer se impor como líder da causa palestina com suas salvas de foguetes contra Israel, que busca eliminar a influência do grupo atacando suas infraestruturas na Faixa de Gaza, estimam analistas.

A escalada começou em menos de uma semana: confrontos entre manifestantes palestinos e forças de segurança israelenses na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém Oriental se transformaram em conflito entre Hamas e Israel na Faixa de Gaza, tensões em cidades habitadas por árabes e judeus em território israelense e em distúrbios violentos na Cisjordânia ocupada.

A escalada militar entre Israel e o Hamas, com bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza e foguetes disparados do enclave contra o território israelense, já deixou mais de cem mortos, a maioria palestinos, incluindo dezenas de crianças.

O que buscam com essas ofensivas?

O Hamas "tenta se posicionar como o principal garantidor da segurança dos palestinos e principalmente de Jerusalém, o que é bastante novo em relação ao que vimos anteriormente", considera Leïla Seurat, pesquisadora do Observatório do Mundo Árabe e Muçulmano (OMAM) da Universidade Livre de Bruxelas (ULB).

"Claramente, está tentando minar (o presidente palestino) Mahmoud Abbas, que já está muito enfraquecido, mas de modo geral, sente que há coisas que estão evoluindo do ponto de vista palestino", disse à AFP.

Nos últimos meses, o Hamas, no poder na Faixa de Gaza, e o Fatah, o partido laico de Mahmoud Abbas, com sede na Cisjordânia ocupada, chegaram a um acordo sobre uma diretriz de reconciliação após mais de uma década de divisões.

Essa reconciliação contava com eleições marcadas para maio deste ano. Mas Abbas adiou as votações sem uma nova data, alegando que Israel, que controla Jerusalém Oriental, não autorizou eleições para palestinos na Cidade Santa. O Hamas, que queria fortalecer sua legitimidade nas urnas, ficou indignado com a medida.

Quase simultaneamente, eclodiram confrontos em Jerusalém, resultado de manifestações após a ameaça de expulsão de famílias palestinas em favor de colonos judeus em um bairro da cidade.

Mas o Hamas "não controla este levante, eles próprios estão oprimidos", mas querem tentar "capitalizá-lo", diz Seurat. E "usaram um meio militar para se colocarem no centro da proteção dos palestinos de Jerusalém", acrescenta a pesquisadora.

"Entre 10 e 50 dias"

Já nos primeiros foguetes lançados de Gaza, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu acusou o Hamas de ter cruzado "a linha vermelha".

Mas o exército não se limitou a bombardeios retaliatórios, como costuma fazer, mas lançou uma terrível ofensiva contra o enclave, onde dois milhões de pessoas vivem sob o bloqueio israelense.

Para Yaakov Amidror, ex-conselheiro de segurança nacional de Netanyahu, "Israel deve demonstrar ao Hamas que não pode lhe impor nada" e, para isso, não deve apenas "destruir as capacidades e infraestruturas" do Hamas, mas também "matar" seus líderes, disse ele à AFP.

"Os esforços (buscam) matar o número máximo de membros do Hamas e principalmente de especialistas técnicos" em foguetes e drones, acrescenta.

Nesta semana, o exército israelense lançou ataques direcionados contra muitos oficiais técnicos do grupo islâmico, de comandantes a engenheiros e especialistas na fabricação de drones.

"Isso afeta a longo prazo a capacidade do movimento de produzir armas", observa uma fonte militar israelense. Mais de cem pessoas morreram em Gaza, incluindo crianças.

Em Israel, mais de dez pessoas morreram, incluindo um menor e um soldado. O sistema antimísseis "Iron Dome" já interceptou a maioria dos projéteis, um dispositivo que economiza tempo para o exército, estima Amidror.

"Vai durar entre 10 e 50 dias ... no final, tudo o que o Hamas simboliza como governo em Gaza estará destruído", disse ele.

Para Naji Shurab, professor de Ciência Política da Universidade Islâmica de Gaza, Israel quer "enfraquecer" o Hamas e "consolidar" a divisão entre as facções palestinas.

"Mas é um jogo perigoso, porque é possível que a revolta se espalhe para a Cisjordânia e acabe com a Autoridade Palestina" de Abbas, o que complicaria ainda mais a situação dos palestinos.

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