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É a cultura do miliciano tentar intimidar, diz Renan sobre Flavio Bolsonaro

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid - Edilson Rodrigues/Agência Senado
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado
do UOL

Colaboração para o UOL

13/05/2021 22h56

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) voltou a comentar a discussão entre ele e o também senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) durante a sessão de ontem da CPI da Covid. O relator da Comissão disse que a atitude do filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) representa "um pouco da cultura do miliciano".

"O miliciano acha que não comete crime, e todo mundo que está diante dele o enfrentando é um vagabundo. Tenta sempre intimidar, matar, fazer o que deseja. E isso não pode continuar acontecendo no Brasil, porque nós temos um propósito que é iluminar o compartimento do enfrentamento à pandemia e dizer para a sociedade o que foi que aconteceu", disse, em entrevista à CNN Brasil.

Apesar de ter respondido às falas de Flávio Bolsonaro, Renan disse que não irá mais reagir, pois isso "é tudo que eles querem para encobrir a CPI, encobrir a verdade".

Além disso, defendeu que o governo federal não tem uma linha de defesa ou argumento frente a CPI. Por isso, segundo Renan, "se defende com ataque, achincalhe e ameaça". No entanto, o relator garantiu que isso não irá "intimidar" a Comissão, que seguirá o roteiro preestabelecido para responder à população o que aconteceu no país no combate à pandemia.

"O povo brasileiro precisa saber o que aconteceu. Se o presidente errou, se houve negligência, se houve má-fé, se houve descaso. Ele tem responsabilidade pelo genocídio ou não tem? É isso que a CPI precisa responder, sem ataque, sem achincalhe, sem nada", afirmou.

"Está patente que houve omissão", diz Randolfe

O senador e vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que "está patente que houve omissão" do presidente Bolsonaro na aquisição de vacinas. De acordo com ele, o depoimento do ex-presidente da Pfizer Carlos Murillo só confirmou o que "estávamos perseguindo e constatando desde a semana passada".

Para Randolfe, todos os álibis do governo que justificam as ações de tratativas com a farmacêutica foram derrubados. Incluindo, inclusive, o argumento de que não teria vacina disponível para dezembro de 2020.

"No dia 17 de dezembro foram distribuídas vacinas para norte-americanos, canadenses e britânicos. Para não ficar só no chamado primeiro mundo, foram distribuídas também para costa-riquenhos, chilenos e mexicanos", lembrou, em entrevista à CNN Brasil.

Por isso, o senador afirma que a estratégia do governo de "acreditar que era mais eficiente cloroquina do que vacina", deve ser vista como "errada, no mínimo ". "A negligência custou vidas. A omissão para adquirir vacinas pode ser caracterizada como negligência", argumentou.

O vice-presidente da CPI comentou, ainda, o pedido de habeas corpus preventivo, apresentado pela AGU (Advocacia-Geral da União) ao STF (Supremo Tribunal Federal), em favor de Eduardo Pazuello, ex-ministro de Saúde no governo de Bolsonaro. O pedido visa que Pazuello tenha o direito de ficar em silêncio durante o depoimento na CPI, marcado para o próximo dia 19, às 10h.

Para Randolfe, o ex-ministro "se coloca como indiciado", sendo que ele foi chamado como testemunha. O senador acredita que o recurso não vá prejudicar a investigação, mas "deixa de contribuir".

"A única forma de buscar a verdade para essa Comissão Parlamentar de Inquérito não será somente através do depoimento do senhor Eduardo Pazuello. É para isso que o inquérito dispõe de outros mecanismos, como quebra do sigilo de dados, fiscal, telefônico e bancário. É possível chamar outras pessoas que também atuaram no ministério da Saúde", explicou.

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