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Dom Odilo Scherer diz que religião não deve ser critério em escolha no STF

Dom Odilo Scherer participa do programa "Roda Viva", da TV Cultura - Reprodução/TV Cultura
Dom Odilo Scherer participa do programa "Roda Viva", da TV Cultura Imagem: Reprodução/TV Cultura
do UOL

Do UOL, em São Paulo

12/04/2021 22h59

O arcebispo Metropolitano de São Paulo, Dom Odilo Scherer, disse hoje que a religião não deveria ser apontada como critério em indicação à vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Para o cardeal, o ministro da Corte precisa ter conhecimento da lei e capacidade de jurista.

"Quanto a ser indicado para ministro do STF, eu quero crer que o que importa neste caso é sua qualidade de jurista, conhecedor da Constituição antes de tudo, a prática do direito. Isso é o que importa mais do que tudo, e não antes de tudo sua religião", ressaltou Dom Odilo, em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já disse mais de uma vez que o próximo membro da Corte vai ser "terrivelmente evangélico", uma de suas principais bases de apoio. As indicações precisam passar por aprovação do Senado.

"Claro que o Brasil é formado de gente de muitas religiões, é normal que teremos ministros do STF católicos, evangélicos, judeus, muçulmanos. Mas isso seria um fato secundário. O que importa é o conhecimento da lei e sua capacidade de jurista", pontuou Dom Odilo.

Em entrevista ao UOL, mais cedo, o ministro Marco Aurélio Mello disse que a religião "não é bom critério" e que o movimento trata-se de "arroubo de retórica para agradar um segmento que o apoiou nas eleições". O decano será o segundo ministro do Supremo a se aposentar durante o mandato de Jair Bolsonaro na Presidência da República. O advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça, André Mendonça, e o procurador-geral da República, Augusto Aras, são cotados para substitui-lo.

"A separação Estado igreja, Estado religião, ocorreu há muito tempo. O Estado é laico. Não está atrelado à religião", afirmou o ministro, que acrescentou: "Querem agradar de qualquer forma o presidente da República visando a indicação que estará aberta a partir de 5 de julho. Mas não é por aí que se chega à indicação".

Veto a missas com público

Durante o programa, Dom Odilo Scherer também foi questionado sobre a suspensão de missas e cultos com público, em São Paulo. O decreto do governo de São Paulo que vetou atividades religiosas faz parte das fases mais restritivas do plano de combate ao coronavírus.

"O fato que determinou as missas sem a participação foi exatamente este: os números na escalada, aumentando portanto a quantidade de infectados e contagiados e também de doentes. E acima de tudo, os leitos ocupados, os hospitais com UTIs cheias e, portanto, não havia justificativa para a gente voltar a celebrar logo com o povo. Me pareceu ser a solução mais indicada", afirmou.

O estado de São Paulo teve a semana com mais mortes da pandemia entre 4 e 10 de abril, com 5.657 óbitos. É praticamente o triplo do número de vítimas da semana com mais mortes na primeira onda, em meados de julho, quando 1.945 pessoas perderam a vida devido à covid-19. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde, compilados pelo consórcio de imprensa de que o UOL faz parte.

Críticas a governo Bolsonaro

Dom Odilo Scherer também criticou o governo do presidente Jair Bolsonaro em relação a atrasos ao promover ações efetivas para combate à pandemia.

"A pandemia naturalmente pegou todos nós de surpresa. No seu início no ano passado ninguém poderia prever que as coisas fossem se desenvolver como acabaram se desenvolvendo. Depois, alguns governantes enfrentaram melhor do que outros o problema da pandemia. As medidas que deveriam ter sido adotadas... nosso governo federal pelo menos não adotou em tempo as medidas que deveriam ser adotadas".

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