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Com pandemia, Grécia espera reverter fuga de cérebros

03/03/2021 15h16

Atenas, 3 Mar 2021 (AFP) - "Queremos que voltem": o governo grego espera se beneficiar da pandemia de covid-19 para convencer milhares de talentos que partiram para o exterior durante uma década de crise a retornarem.

"Temos o sol, a tecnologia e estaremos ao seu lado", afirmou Alex Patelis, assessor econômico do primeiro-ministro, em uma recente teleconferência. "Queremos que voltem", lançou, "para que abram empresas, novas empresas ou que transfiram parte das atuais para a Grécia".

Cerca de 500 mil pessoas emigraram para o exterior durante a crise, na qual a economia contraiu 25% e a taxa de desemprego atingiu 28%.

Com o tempo, os números do desemprego melhoraram, embora ainda seja o dobro da média europeia.

Christophoros Xenos, de 36 anos, tinha apenas 20 anos quando partiu para o Reino Unido para estudar e lançar sua carreira. Mas a crise econômica estourou na Grécia e o retorno era repleto de riscos.

O jovem aproveitou a primeira onda da pandemia para trabalhar a distância "por três meses de Atenas e ilhas gregas". "Aproveitei muito o clima, a qualidade de vida, a volta ao país".

O governo grego vê esperança, pois a pandemia permitiu redefinir o conceito de bureau, que espera atrair trabalhadores itinerantes ou teletrabalhadores, que trabalham em qualquer lugar.

- "Quero retornar" -"Quero retornar, mas sei que a renda não será a mesma" de Londres, confidenciou Christophoros à AFP.

Ele destaca que o regime tributário grego é um dos maiores obstáculos para o retorno do exterior.

Além disso, os salários são baixos, a burocracia é pesada, falta infraestrutura e a internet é cara e lenta.

A Grécia está entre os países da OCDE com pior desempenho na ocupação de graduados do ensino superior, de acordo com um estudo sobre as condições de trabalho da Eurofound.

Para quem retorna, o governo conservador de Kyriakos Mitsotakis oferece isenção de impostos de 50% sobre os rendimentos auferidos por sete anos.

O Ministério do Trabalho promete reativar o programa "Rebrain Grécia", que tem como objetivo oferecer a 500 pessoas um salário bruto de 3.000 euros, sendo 70% subsidiado pelo Estado.

A Grécia sofreu várias ondas migratórias em massa no passado. Mas durante a crise de 2008-2018, os mais qualificados partiram. Quase 90% dos emigrantes eram graduados, revela uma pesquisa da consultoria ICAP.

Esse movimento custou à economia grega mais de 15 bilhões de euros (cerca de US$ 18 bilhões), de acordo com a Autoridade Helênica para a Qualidade do Ensino Superior (ADIP).

- "Silicon Valley" grego -Alguns já decidiram voltar.

Alguns cientistas voltaram para a faculdade de medicina e não se arrependeram.

"Coisas incríveis acontecem na Grécia, o país tem cérebros e habilidades", diz Ioanna Mourkioti, de 29 anos, doutora em Biologia, embora reconheça que a burocracia desacelera tudo.

Sua equipe criou um teste rápido de antígeno para covid-19. Espera que alguma empresa grega o produza para alcançar a independência nesse sentido.

Toda a equipe estudou no exterior.

"A Grécia pode ser líder em pesquisa (...) embora seja difícil administrar a logística e a falta de infraestrutura, mas pode ser desenvolvida", diz Nefeli Lagopati, 37, pesquisadora em Biologia e Nanomedicina.

"Um país como a Grécia não pode contar apenas com o turismo", exclama Christos Kittas, professor emérito de histologia e embriologia.

"Precisamos investir em pesquisa, evitar a fuga de cérebros. Criar um 'Silicon Valley' grego", afirma à AFP.

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