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Conteúdo publicado há
1 mês

Empresário se defende e diz que foi agredido inicialmente em resort na BA

do UOL

Alexandre Santos

Colaboração para o UOL, em Salvador

02/03/2021 13h17Atualizada em 03/03/2021 14h21

Acusado de agredir quatro pessoas durante uma discussão no hotel Vila Galé Marés, no município de Camaçari (a 50 km de Salvador), o empresário Leonardo Bruno de Oliveira Freitas, de 29 anos, refuta a versão de que teria iniciado a briga, ocorrida no sábado (27), em volta da piscina do resort de luxo, situado à beira-mar da praia de Guarajuba.

Ao UOL, o empresário, que mora em Brasília (DF), afirma que reagiu por ter levado um soco na boca. Segundo ele, o golpe foi desferido pela psicóloga Valentina Baldino, 30. A versão é sustentada em uma nota redigida pela esposa de Leonardo, a também empresária Hanna Silva, de 34 anos.

Ontem, Valentina afirmou ao UOL que ela, o namorado — o corretor de imóveis Augusto Amorim, de 29 anos —, e outros dois amigos foram atacados após familiares de Leonardo usarem o filho do empresário para provocá-los.

Segundo a psicóloga, que mora em Florianópolis (SC), a criança brincava com uma boia e, a todo momento, esbarrava propositalmente no grupo.

O casal brasiliense rebate as acusações. "O que ocorreu foi que nós fomos agredidos primeiramente. A senhora Valentina já havia se desentendido na piscina com outra criança. A outra mãe tinha até retirado a criança da piscina. Não vi motivos para fazer isso, já que a área era grande e ninguém precisava disputar espaço", disse Hanna no texto enviado hoje à reportagem.

resort - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Valentina Baldino Cibils, 30, afirmou que levou socos, tapas e empurrões em briga em resort de luxo na Bahia
Imagem: Arquivo Pessoal

"Acho que as pessoas não entendem que uma criança de quatro anos não tem como ser taxada de mal-educada. Meu filho é educado e tímido, não sabe nadar e hora nenhuma foi jogar água nela", defende-se.

A empresária narra que, antes do início da briga, havia passado próximo a Valentina e aos amigos e que teria ouvido a psicóloga xingar seu filho. "Ela [Valentina] falou que 'p... de criança' e algo que não entendi. Perguntei se era comigo com quem ela estava falando, e ela começou a gritar coisas que não entendi justamente por ter um grupo fazendo muita bagunça e ouvindo som."

"Perguntei novamente se era comigo e com meu filho, e ela avançou para cima de mim, passou pelos dois amigos dela que estavam na frente. Nesse momento, meu marido chegou e perguntou o que está acontecendo. Foi quando ela desferiu um soco na boca dele. Minha prima, que estava logo atrás, avançou nela e começou uma briga generalizada, todos eles partiram para cima do meu marido", acrescenta a empresária.

'Versão ensaiada'

Hanna diz ter ficado "sem reação, tentando parar todo mundo". "Inclusive um dos amigos dela [Valentina] gritou que não tinha nada com isso, que nem conhecia ela, porque ela tinha avançado na gente. Chamamos a polícia no hotel fomos para a delegacia, onde todos foram encaminhados para uma delegacia em Salvador, lá cada um deu sua versão dos fatos, sendo a deles ensaiada juntamente. Fomos então encaminhados para o IML [Instituto Médico Legal], retornamos ao hotel às 3h da manhã. Nosso filho nem dormiu. Estava abalado, chamando pelo pai."

Ainda no texto enviado à reportagem, a empresária relata que ela e sua família estão sendo "taxados de agressores", enquanto os demais, "como vítimas". Hanna também reclama do tratamento do hotel ao afirmar que quase foram expulsos do local.

"O gerente do hotel, que havia passado a manhã toda com eles e nem se quer [sic] tinha conversado conosco, ligou no nosso quarto e solicitou que deixássemos o hotel. Fomos então até a gerência, onde não fomos ouvidos, onde não apuraram os fatos, onde o gerente se quer viu as imagens para ter uma ideia do que ocorreu. Ele disse que era para deixarmos o hotel porque os outros estavam mais machucados", ela diz.

A empresária afirma ainda que a gerência do resort só teria recuado com a chegada da polícia. "O gerente retornou e disse na maior cara de pau para esquecer o que tinha dito, que podíamos ficar até o fim da nossa estadia, porém nossa viagem acabou, (...) ficamos isolados e nem se quer conseguir me alimentar devido à crise de pânico que se instaurou."

Ao fim da nota, a brasiliense chama de "mentiroso" o relato de Valentina. "Estão vinculando nossas profissões, minha integridade e capacidade como profissional, a inidoneidade da nossa empresa, e nosso compromisso com o trabalho sério, ela por ser vivida nas redes sociais está sendo divulgado somente a parte dos fatos como ela narra", afirma Hanna.

"Estou me defendendo de monstros", diz Valentina

Ao UOL, Valentina classificou como "um absurdo" as alegações apresentadas por Leonardo e Hanna. Para ela, o relato da empresária é "extremamente vexaminoso". "Com certeza, eu vou buscar meus direitos por esse tipo de declaração. É um absurdo ter que ler uma coisa dessa depois de toda a violência que eu sofri por eles. Depois de quase ter morrido com socos e pancadarias que eu levei a troco de nada", diz a psicóloga.

Ao contrário da versão de Leonardo, Valentina afirma que não o agrediu em nenhum momento e que não xingou o filho do casal. "Eu jamais falaria palavras de raiva para uma criança, até mesmo porque sou psicóloga infantil e todos os meus pacientes me conhecem muito bem. Eu acredito que a educação de uma criança vem de casa."

O bancário Bruno Figlioli, 31, que relatou ter sido agredido por Leonardo ao tentar contê-lo junto com seu marido, o médico Renato Hideki, 32, diz que o casal visa "forjar" uma situação de legítima defesa. Ele afirma que, ao contrário da foto divulgada pela empresária, o marido não sofreu qualquer machucado no olho.

"No IML, ele não estava com olho roxo. Ele não foi agredido na delegacia. Isso não está no boletim de ocorrência. Não tem registro nenhum de violência contra ele, que está usando isso agora como artifício pra alegar legítima defesa, pra alegar que foi a cunhada que bateu na Valentina e fugir da acusação de agressão à mulher", afirmou Bruno.

'Incidente pontual'

Procurada pelo UOL, a assessoria do hotel Vila Galé voltou a afirmar ontem que não compactua com qualquer ato de violência. Disse, no entanto, que o caso foi "um incidente pontual".

"Nossas chefias e seguranças foram até o local para intervir, a polícia foi chamada, e foi disponibilizado transporte para que os envolvidos fossem levados à Unidade de Ponto Atendimento mais próxima, rapidamente. Todas as medidas cabíveis foram tomadas. Adicionalmente, ambos grupos receberam a opção de transferência de hospedagem para outro hotel, em Salvador, incluindo a devolução dos valores de suas reservas, porém os dois grupos optaram por permanecer no resort até o término de suas hospedagens", disse o hotel, em comunicado.

"O hotel está colaborando com a investigação em curso, a qual foi classificada como agressão mútua entre as partes. Informamos ainda que já foram adotadas medidas adicionais de segurança no hotel. A Vila Galé lamenta este incidente e segue à disposição para mais esclarecimentos", acrescentou.

Questionada sobre o andamento da investigação, a assessoria da Polícia Civil informou ao UOL que a 33ª DT (Delegacia Territorial) de Monte Gordo, em Camaçari, apura o caso.

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