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Fome na América Central dispara: 8 milhões de pessoas vivem em insegurança alimentar

24/02/2021 17h55

Na América Central, o número de pessoas que têm dificuldades em alimentar suas famílias quadruplicou em dois anos. São oito milhões de pessoas, segundo o PMA (Programa Alimentar Mundial), das Nações Unidas. Em El Salvador, Guatemala, Nicarágua e Honduras, milhões de famílias foram afetadas pela crise econômica e por medidas restritivas relacionadas à Covid-19 e à passagem devastadora de dois furacões, explica o diretor-adjunto do PMA em Honduras, Etienne Labande, em entrevista à RFI.

Na América Central, o número de pessoas que têm dificuldades em alimentar suas famílias quadruplicou em dois anos. São oito milhões de pessoas, segundo o PMA (Programa Alimentar Mundial), das Nações Unidas. Em El Salvador, Guatemala, Nicarágua e Honduras, milhões de famílias foram afetadas pela crise econômica e por medidas restritivas relacionadas à Covid-19 e à passagem devastadora de dois furacões, explica o diretor-adjunto do PMA em Honduras, Etienne Labande, em entrevista à RFI.

Lucile Gimberg, da RFI 

RFI: Qual é a situação humanitária atual na América Central?

Étienne Labande: Em Honduras, entre o final de 2018 e o final de 2020, passamos de pouco menos de 300.000 pessoas em estado de insegurança alimentar para agora 2,9 milhões de pessoas na mesma situação.

Na região [da América Central], passamos de cerca de dois milhões para oito milhões agora. Há um efeito cumulativo das medidas de prevenção de transmissão Covid-19, que tiveram um impacto na economia, particularmente nas pessoas que trabalham na chamada economia "informal", e os efeitos de duas tempestades tropicais que tiveram efeitos igualmente devastadores sobre a economia, com perdas financeiras. Há famílias que perderam suas casa. As inundações chegaram a 3 ou 4 metros na região de San Pedro Sula, no norte do país.

RFI - De que forma estas tempestades, Iota e Eta, atingiram os agricultores da América Central?

Para os pequenos produtores em áreas rurais que saíram de cinco ou seis anos de seca repetida, foi um choque adicional em um ano em que [ainda] havia melhores perspectivas de safra do que em anos anteriores. As duas estações chuvosas haviam sido melhores e, de repente, as duas tempestades tropicais Eta e Iota destruíram uma grande parte das plantações. A conseqüência: ou nenhuma ou colheita menor.

RFI - A fome e a dificuldade em alimentar sua família levará mais pessoas, hondurenhos e centro-americanos, a tentarem a migração para os Estados Unidos e Canadá?

Isso é muito possível. Insegurança alimentar, dificuldades em alimentar a própria família fazem parte do processo de tomada de decisão sobre a migração ou não. Sabemos disso através das pesquisas que realizamos na região. Dado o aumento geral da crise de insegurança alimentar nos quatro países, isto é de fato algo que pesará mais no processo de tomada de decisão destas famílias para migrar.

Cada pesquisa faz a mesma pergunta e em 2019, 8% das famílias ou indivíduos pesquisados responderam que tinham planos de migrar. E a última pesquisa, que data do final de 2020, nos dá uma taxa de 15%. Isto significa que quase dobramos o número de respostas das pessoas que nos dizem que estão se preparando para partir.

RFI - Quais são as medidas mais urgentes que os países da América Central precisam tomar?

O verdadeiro desafio agora é a longo prazo, porque a recuperação, a reabilitação da economia, o retorno a uma situação mais normal para aqueles que trabalham, que têm que ganhar a vida para alimentar suas famílias, vai levar muito mais tempo.

Um estudo em Honduras nos diz que o país levará pelo menos até 2025 para retornar a um nível comparável ao de 2019, antes das sucessivas crises. O que temos que entender é que não estamos em uma situação clássica em que estamos respondendo a uma crise. Primeiro, tivemos todas as conseqüências das medidas para limitar a propagação do Covid-19, que teve um impacto na economia, mas depois tivemos as duas tempestades tropicais que ocorreram com 15 dias de diferença, uma após a outra, particularmente no norte e no centro do país.

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