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Candidatura de Simone Tebet torna improvável nome do grupo Muda, Senado

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) foi anunciada como a candidata do MDB à Presidência do Senado - Pedro França/Agência Senado
A senadora Simone Tebet (MDB-MS) foi anunciada como a candidata do MDB à Presidência do Senado Imagem: Pedro França/Agência Senado
do UOL

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

14/01/2021 04h00Atualizada em 14/01/2021 10h25

A candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) à Presidência do Senado anunciada nesta terça-feira (12) torna improvável que o grupo suprapartidário Muda, Senado lance um candidato próprio que o represente com o apoio de todos seus membros. A tendência agora é que a maioria dos integrantes do "Muda" apoie Simone.

O grupo é formado por cerca de 15 senadores do Podemos, PSDB, PSL, Cidadania e Rede —não a bancada inteira dessas siglas— e tem como principal bandeira o combate à corrupção.

No início de dezembro, o Muda, Senado anunciou que contaria com um nome do grupo na disputa. No entanto, quem vai ocupar esse papel ainda não foi definido e membros do grupo entendem não ter sozinhos votos suficientes para derrotar o candidato favorito do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na disputa, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Se fossem para a eleição com um nome próprio, teriam 20 votos no máximo, estimam.

Se optarem por um candidato próprio também haverá uma divisão nos votos que poderiam ser melhor aproveitados ajudando a engrossar o apoio a Simone Tebet, avaliam senadores ouvidos pelo UOL.

Simone não integra o Muda, Senado e não defende todas as suas pautas. Contudo, é vista com capaz, bem articulada entre diferentes partidos e mais independente em relação ao Planalto do que Pacheco. Segundo um membro do grupo, ela é uma alternativa "boa e viável", sendo um "avanço" em comparação ao grupo político de Alcolumbre.

Ainda assim, há a consciência de que pautas impopulares na Casa não deverão ser tocadas por ela, como uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar condutas de magistrados de tribunais superiores ou eventuais pedidos de impeachment de autoridades.

Nenhuma pauta do Muda, Senado andou em 2020 tanto pela pandemia quanto pela resistência do grupo político de Alcolumbre e da esquerda em tocá-las. Atualmente, o grupo deve deixar de lado temas mais espinhosos e se centrar na defesa da possibilidade de prisão após condenação em segunda instância e do fim do foro privilegiado, embora também sejam de difícil aceite para efetivamente tramitarem.

Além disso, vários cotados a serem candidatos pelo bloco suprapartidário já sinalizaram que não vão concorrer, como os senadores Álvaro Dias (Podemos-PR), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Mara Gabrilli (PSDB-SP). Os três querem apoiar Simone.

Outro fator que pesa contra um candidato próprio do Muda, Senado é que cargos na Mesa Diretora e em comissões são distribuídos em negociações com os partidos dos blocos na disputa, não com grupos suprapartidários.

Até o momento, a candidata conta com o apoio do MDB e do Podemos, totalizando 24 senadores, sem considerar traições. Há a expectativa de que senadores do PSDB, Cidadania, Rede e PSL fiquem ao lado dela.

Integrante do Muda, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) se coloca como candidato na disputa à Presidência do Senado e quer usar o espaço na tribuna do plenário dedicado aos postulantes para divulgar seus posicionamentos, mas admite que pode abrir mão a favor de Simone se perceber que pode ajudá-la. Hoje, ele estima contar com oito votos.

Entre as promessa de Kajuru estão promover a CPI da Lava Toga (magistrados), pautar proposta de fim da possibilidade de reeleição no Executivo e analisar pedidos de impeachment.

Nos bastidores, a desistência de Kajuru nos últimos momentos da corrida a favor de Simone é dada como certa por colegas.

O senador Major Olímpio (PSL-SP), outro membro do Muda, Senado, também se posiciona como candidato, mas diz entender que cada membro do "Muda" tem seus compromissos partidários e ser preciso respeitá-los, se realmente não o apoiarem.

"Por que me mantenho candidato? Porque confio no meu taco", disse.

Assim como com Kajuru, colegas apostam que ele desistirá para ajudar Simone. Ambos são vistos pelos pares como muito "beligerantes" nos temas que querem tocar, se eleitos. Portanto, sem possibilidade de formar qualquer união significativa em torno de suas candidaturas.

Errata: o texto foi atualizado
A senadora Simone Tebet é do MDB de Mato Grosso do Sul. A informação foi corrigida.

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