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Violência de desmantelamento de acampamento de migrantes em Paris choca até ministro do Interior

24/11/2020 09h03

A polícia francesa desmantelou violentamente na noite desta segunda-feira (23) um acampamento de migrantes instalado algumas horas antes na Praça da Répública, no centro de Paris. Vários ministros, a começar pelo do Interior, Gérald Darmanin, ficaram "chocados" com as imagens da ação policial. A oposição aponta a responsabilidade do polêmico projeto de lei de Segurança Global, em debate no Parlamento.

A polícia francesa desmantelou violentamente na noite desta segunda-feira (23) um acampamento de migrantes instalado algumas horas antes na Praça da Répública, no centro de Paris. Vários ministros, a começar pelo do Interior, Gérald Darmanin, ficaram "chocados" com as imagens da ação policial. A oposição aponta a responsabilidade do polêmico projeto de lei de Segurança Global, em debate no Parlamento.

Desde a semana passada, com o desmantelamento de um grande acampamento em Saint-Denis, na periferia parisiense, centenas de migrantes não tinham para onde ir e divagavam pelas ruas da cidade. Nesta segunda-feira, eles decidiram instalar suas barracas na Praça da República. Mas o novo acampamento durou pouco.

Apenas uma hora depois, a polícia chegou e começou a retirar as barracas do local. Em seguida, os policiais usaram bombas e gás lacrimogênio para dispersar os migrantes e os líderes de associações e políticos que os apoiavam.

"A instalação de acampamentos como esses, organizada por algumas associações, não é aceitável. A secretaria de Segurança agiu imediatamente para acabar com essa ocupação ilícita do espaço público", indicou um comunicado da polícia. "Todas as pessoas que precisam de um alojamento devem se apresentar aos serviços que acolhem os sem-teto, de onde serão orientados a encontrar soluções adaptadas a sua situação", completa o texto.

Círculo vicioso

As associações denunciam um círculo vicioso. Cada vez que um acampamento é desmantelado, as propostas de alojamento, feitas pelas autoridades, não contemplam todos os migrantes que acabam voltando para a rua.

Na terça-feira da semana passada (17), depois do desmantelamento do acampamento de Saint-Denis, mais de 3.000 pessoas, principalmente homens afegãos, foram acolhidos em alojamentos ou ginásios adaptados na região parisiense. Mas, segundo as associações, entre 500 e 1.000 pessoas estavam desde então desalojadas e deambulavam pelas ruas.

Ação chocante

As reações políticas à violenta ação policial se multiplicam. O ministro do Interior, Gerald Darmanin, que é responsável pela polícia francesa, escreveu no Twitter que ficou "chocado" com as imagens do desmantelamento do acampamento na Praça da República. Na mensagem, ele indicou que pediu um "relatório detalhado" sobre a ação policial.

As ministras da Cidadania, Marlene Schiappa, e da Habitação, Emmanuelle Wargon, ressaltaram que "os migrantes são seres humanos e devem ser tratados com humanidade e fraternidade". Elas pediram que "soluções para o alojamento das pessoas em situação precária sejam encontradas".

Projeto de lei de Segurança Global

A oposição denuncia uma intervenção inaceitável e uma resposta policial à uma situação social. O primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, lembrou em entrevista à rádio France Inter que essas imagens são "insuportáveis e revoltantes" na França que "é o país dos Direitos Humanos". Em reação ao tuíte do ministro do Interior, Faure insinuou que são exatamente essas imagens que o governo quer proibir com o projeto de Segurança Global. Um dos artigos da polêmica proposta do governo, atualmente em discussão, pune a filmagem e difusão dos rostos e da identidade de policiais em ação.

O deputado do partido de extrema esquerda França Insubmissa, Éric Coquerel, que estava na Praça da República no momento do desmantelamento, fala em uma "repressão totalmente desproporcional que, infelizmente, não é inédita". Ele estima que o ministro do Interior não precisa de mais um relatório e pede a "retirada do projeto de lei de Segurança Global" que, segundo ele, acaba com todos os "freios à repressão".

 

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