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Furacão Zeta toca o solo no Caribe mexicano

26.out.2020 - Pescadores retiram barco de água por causa da aproximação do furacão Zeta, em Cancún, no México - Jorge Delgado/Reuters
26.out.2020 - Pescadores retiram barco de água por causa da aproximação do furacão Zeta, em Cancún, no México Imagem: Jorge Delgado/Reuters

Em Cancún (México)

27/10/2020 06h03

O furacão Zeta, de categoria 1, entrou ontem no balneário de Tulum, com fortes ventos e chuvas intensas, na Península de Yucatán, coração do Caribe mexicano, atingida dias atrás pelo ciclone Delta.

"O centro do furacão Zeta tocou o solo às 22h do México (1h de Brasília), nas imediações da cidade Chemuyil, aproximadamente a 25 quilômetros do norte-nordeste de Tulum, Quintana Roo", informou a Conagua (Comissão Nacional da Água), em um comunicado.

O fenômeno se deslocava no sentido noroeste a 20 km/h, com ventos máximos sustentados de 130 km/h.

Embora as chuvas e os ventos mais fortes vão atingir a região centro-norte do estado, o impacto se estenderia por toda a região.

"Terá um impacto em praticamente todo o estado", disse o governador do estado de Quintana Roo, Carlos Joaquín, em vídeo postado nas redes sociais do governo.

A Conagua estima que as precipitações na região variem entre 150 e 250 mm, e os ventos, entre 120 e 150 km/h, com ondas entre 4 e 7 metros de altura.

O instituto prevê que a tempestade vá perder força à medida que avançar sobre a Península de Yucatán — onde se situam os populares balneários de Cancún, Riviera Maya e Tulum — esta noite e a manhã de hoje.

Mas posteriormente, ganhará força à medida que se deslocar sobre as águas do Golfo do México.

Zeta deve prosseguir a trajetória como furacão até a costa sudeste dos Estados Unidos na quinta-feira.

O estado de Quintana Roo, onde estão os balneários do Caribe mexicano, declarou alerta laranja e ordenou a suspensão das atividades de trabalho. Além disso, as autoridades pediram aos moradores e turistas que se refugiem em casa ou em seus hotéis. O transporte marítimo de carga e de passageiros foi suspenso no norte do estado.

O governo também habilitou vários abrigos para quem não se sentir seguro em casa.

'Melhor prevenir'

Em Cancún, alguns banhistas desfrutavam das últimas horas de praia antes da chegada da tempestade.

Mayra Sánchez, estudante espanhola de 26 anos, disse estar despreocupada com o Zeta, ao afirmar que conhecidos seus lhe disseram que não ganharia força.

"Amigos meus me disseram que não é preciso se preocupar, temos que aproveitar cada instante deste lugar maravilhoso, embora não possamos entrar no mar", disse à AFP.

No centro da cidade, no entanto, os moradores compravam provisões, além de madeira e fita isolante para proteger as janelas. Nos postos de gasolina, carros faziam fila para abastecer.

"A gente se previne com o que dizem. É melhor prevenir porque daquela vez com o [furacão de categoria 5] Wilma, sofremos muito sem água, sem luz, sem ter o que comer", contou Lucía Castro, mexicana residente há 19 anos em Cancún, lembrando do furacão que castigou o balneário em 2005.

Na madrugada de 7 de outubro, o furacão Delta tocou o solo perto de Cancún com categoria 2 (de 5) da escala Saffir-Simpson, sem deixar vítimas, apenas danos materiais.

A passagem de furacões e tempestades representa um novo golpe para estes balneários, que viram cair dramaticamente a chegada de visitantes pela pandemia de covid-19. O turismo representa mais de 8% do PIB do México.

A temporada de furacões 2020 no Atlântico registra recorde de atividade, visto que Zeta já é a 28ª tempestade. Esgotados os nomes previstos para estes fenômenos, os meteorologistas começaram a identificá-los com letras do alfabeto grego.

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