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Confrontos violentos entre o Azerbaijão e separatistas armênios em Nagorno-Karabakh

27/09/2020 17h34

Erevan, 27 Set 2020 (AFP) - Confrontos violentos, que deixaram pelo menos 23 mortos e centenas de feridos entre civis e militares, eclodiram neste domingo (27) entre forças do Azerbaijão e separatistas da região de Nagorno-Karabakh, apoiados pela Armênia, que declarou a mobilização geral e a lei marcial.

Na Rússia, que tem status de juíza na região, o presidente Vladimir Putin pediu o fim dos confrontos, os mais violentos na região desde 2016.

Pelo menos 16 militares separatistas armênios morreram e mais de uma centena ficou ferida nos confrontos, de acordo com autoridades de Nagorno-Karabakh.

Os dois lados, que se acusam mutuamente de ter iniciado as hostilidades, relatam a perda de civis. Erevã anunciou as mortes de uma mulher e de uma criança, enquanto Baku informou o falecimento de uma família azeri de cinco membros.

- Tensões regionais -Um conflito maior entre Armênia e Azerbaijão poderia gerar a intervenção de potências rivais na região, como Rússia e Turquia. Os confrontos ao redor de Nagorno-Karabakh, região separatista do Azerbaijão, de maioria armênia e que conta com o apoio de Erevã, alimenta tensões regionais há 30 anos.

Um porta-voz do Ministério da Defesa azeri anunciou que o Exército de seu país havia conquistado, neste domingo, seis povos sob controle armênio nos combates em Nagorno-Karabakh, o que acabou desmentido pela Armênia.

Baku também afirmou ter tomado o controle de uma montanha estratégica em Karabakh e anunciou a instauração da lei marcial.

Mais cedo neste domingo, o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, também decretou "mobilização geral" e o estabelecimento da lei marcial, assim como o fizeram as autoridades de Karabakh.

"O regime autoritário azeri voltou a declarar a guerra ao povo armênio", criticou Pishinyan, que garantiu que os dois países vizinhos estavam à beira de "uma grande guerra" que poderá ter "consequências imprevisíveis".

Pahinyan pediu à comunidade internacional que evite uma "ingerência" turca no conflito.

O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, denunciou uma "agressão" da Armênia e prometeu "vencer" o conflito.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan, aliado tradicional do Azerbaijão, renovou seu apoio a este país em uma conserva telefônica com seu homólogo azeri.

O vizinho Irã declarou estar disposto a mediar negociações entre ambos os países.

A França, mediadora do conflito ao lado de Rússia e Estados Unidos como integrante do Grupo de Minsk, pediu o cessar das hostilidades, assim como o fizeram a União Europeia e a Alemanha.

O Ministério da Defesa azeri indicou em um comunicado que lançou uma "contra-ofensiva em toda a linha de frente" para "acabar com as atividades militares das forças armadas armênias".

- Um velho conflito -O Ministério da Defesa de Karabakh afirmou ter destruído quatro helicópteros, 15 drones e dez tanques azeris.

Um vídeo publicado por Erevã mostra dois tanques inimigos atingidos por disparos ao lado de outros três tanques.

O Azerbaijão confirmou que um de seus helicópteros foi abatido, mas que a tripulação sobreviveu ao ataque.

O exército azeri também publicou um vídeo em que mostra a destruição de três aparatos militares inimigos.

As duas ex-repúblicas soviéticas estão em conflito há décadas pela região separatista de Nagorno-Karabakh.

Separatistas e azeris se enfrentam com frequência, mas Armênia e Azerbaijão também o fazem diretamente.

Esses dois países já se enfrentaram em julho nos confrontos mais graves desde 2016 e que geraram preocupações sobre a desestabilização da região. Então Rússia, Estados Unidos e a União Europeia pediram a ambos os rivais que encerrassem o conflito, enquanto a Turquia ofereceu seu apoio a Baku - capital do Azerbaijão.

O Azerbaijão possui imensas reservas de petróleo, o que lhe confere grandes gastos militares.

A Armênia, muito mais pobre, é um país mais próximo à Rússia, que tem lá uma base militar.

Moscou vende armas para ambos os países, mas tornou-se um árbitro na região, evitando por enquanto uma guerra aberta.

"Agora estamos muito perto de um conflito em grande escala", afirmou à AFP Olesya Vartanyan, especialista do International Crisis Group, que considera que esta nova escalada é explicada em parte pela falta de uma mediação internacional ativa nos últimos tempos.

"Desde a epidemia do coronavírus, o conflito foi esquecido e os diplomatas já não vão mais a Baku ou Everã, nem mesmo após os confrontos de julho", lamentou a especialista.

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