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3 exercícios de autocontrole para economizar e investir mais

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

do UOL

04/08/2020 04h00

Você já se pegou naquela situação em que tenta economizar, mas no meio do mês os gastos desandam e o orçamento vira um completo desastre? A boa notícia é que a psicologia econômica pode ajudar na tarefa de economizar e até investir mais todos os meses.

Quando você ouve falar sobre psicologia econômica ou economia comportamental já deve se lembrar de desgraça! É o efeito manada na Bolsa de Valores que te faz comprar uma ação só porque seu vizinho está comprando, ou mesmo aquela pegadinha do varejo que te leva a pegar algo que não estava com tanto desconto assim.

Mas esta ciência também pode ser usada a favor do seu bolso e, neste artigo, assim como no vídeo acima, eu, Yolanda Fordelone, economista do Econoweek, vou ensinar três exercícios simples de autocontrole que ajudam a economizar e investir mais dinheiro.

1. Dor da perda

Teóricos da psicologia econômica dizem que a frustração da perda pesa muito mais do que a alegria de um ganho futuro e abstrato. Há várias pesquisas nesta linha, mas separei um caso curioso.

O americano Richard Thaler, Nobel de economia e especialista em psicologia econômica, quando mais novo, tinha um colega de faculdade que trabalhava como professor assistente, mas que perderia alguns benefícios financeiros se não concluísse a tese de doutorado em certo tempo. Apesar disso, ele tinha o hábito de procrastinar a entrega do estudo.

Para incentivá-lo, eles fizeram um acordo: o colega fez alguns cheques de US$ 100 e entregou a Thaler. O doutorando teria de entregar um capítulo do estudo todo mês ao amigo. Caso não fizesse isso, Thaler poderia descontar um dos cheques no primeiro dia do mês seguinte.

A perda de US$ 100 por mês era menor do que a perda futura dos benefícios do emprego caso não concluísse o doutorado. Mas essa frustração de já ver o dinheiro indo embora no presente fez o colega de Thaler se mexer e não atrasar mais nenhuma entrega.

Você também pode usar a psicologia da perda para o seu bolso, fazendo um trato com alguém próximo. Você se compromete a economizar R$ 300 todo mês, por exemplo, mas caso não faça isso pode acertar com um amigo de pagar uma saída ou mesmo lhe dar R$ 50 todo mês.

2. Dinheiro em contas separadas

Por que os cofrinhos funcionam tão bem na nossa infância? O fato de o dinheiro não estar "disponível", estar trancado num recipiente que só será acessado no futuro, faz você passar a não contar mais com ele no seu dia a dia. Na verdade, você até se empolga e passa a colocar mais moedas para ver o porquinho ser preenchido o quanto antes.

Na vida adulta não é diferente. O mecanismo que vincula a caderneta de poupança à conta corrente torna muito fácil o saque do dinheiro que você está economizando.

Por isso, é interessante manter o dinheiro em contas separadas ou mesmo aplicar via corretoras. Só o fato de você ter de fazer uma ligação ou pedir para a corretora transferir o dinheiro para a sua conta, já faz você pensar duas vezes antes de usar suas economias investidas.

Se possível, é indicado até já deixar transferências automáticas da sua conta para a sua segunda conta de investimento. Assim você facilita o mecanismo de entrada de dinheiro na conta que vai usar para as economias, mas não o de saída.

3. Apostas e competição

Seguindo a mesma linha de que pessoas odeiam perder dinheiro e adicionando a teoria da pressão ou influência social, você pode apostar dinheiro com seus amigos e familiares. Calma que eu vou explicar!

Se todo mundo está agindo em certo sentido, você passa a se sentir mal, o famoso "peixe fora d'água", se não fizer o mesmo. Você não quer estar fora do cardume.

Por isso, o exercício aqui é se juntar a mais pessoas que querem guardar dinheiro e propor uma meta: alguns reais que deverão ser economizados em certo número de meses. Quem ao final não conseguir chegar no objetivo, deverá pagar um jantar ou saída com os amigos.

O segundo jeito de seguir com apostas é determinar que só haverá um vencedor: quem economizou ou investiu mais no período. O restante dos participantes paga cada um R$ 50 a ele, por exemplo.

Nessa segunda estratégia, porém, a dor da perda é amenizada porque desde o início você sabe que mais pessoas irão perder a aposta com você caso não se esforce, e isso faz com que você não se sinta tão mal se acabar abandonando a meta.

Gostou dos exercícios? Pretende colocar algum em prática? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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