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Afeganistão não quer libertar 600 talibãs 'muito perigosos'

08/07/2020 11h42

Cabul, 8 Jul 2020 (AFP) - As autoridades afegãs se opõem a libertar centenas de prisioneiros do Talibã considerados "muito perigosos", anunciou o governo nesta quarta-feira.

Sob os termos de um acordo entre os Estados Unidos e o Talibã, Cabul prometeu libertar cerca de 5.000 prisioneiros talibãs em troca da soltura de cerca de 1.000 prisioneiros das forças de segurança afegãs.

Javid Faisal, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional (NSC), disse à AFP que 600 prisioneiros que o Talibã pediu para serem libertados ainda respondem por "crimes graves".

Há pessoas acusadas de assassinato, assalto em rodovia e até sodomia, além de centenas de combatentes estrangeiros, segundo outro funcionário do governo, que não quis revelar seu nome.

"Eles são perigosos demais para serem libertados", disse o funcionário.

O Talibã acusou nesta quarta o governo de fabricar casos contra os prisioneiros.

"Se continuarem a criar mais problemas nesse sentido, mostra que não querem que os problemas sejam resolvidos de maneiras razoáveis", comentou o porta-voz dos insurgentes, Zabihullah Mujahid.

Mas o porta-voz do NSC, Faisal, insistiu que o governo está comprometido com as negociações. "Estamos prontos para a paz e libertaremos os prisioneiros restantes sob o acordo. Simplesmente não essas centenas de prisioneiros que têm casos criminais graves no tribunal".

Os dois lados se comprometeram a manter um diálogo direto para encerrar o conflito de décadas no Afeganistão após a conclusão da troca de prisioneiros.

O governo já libertou mais de 4.000 combatentes do Talibã, enquanto os insurgentes completaram cerca de dois terços de suas solturas.

No início desta semana, um dirigente afegão disse que cabia às autoridades decidir quem deveria ser libertado.

"Não será o Talibã quem nos dirá quais presos serão libertados", disse Sediq Sediqqi, porta-voz do presidente Ashraf Ghani.

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