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Aluno leva arma à escola e é acusado de assediar colegas; polícia é chamada

Escola Estadual Marquês de São Vicente, no Gonzaga, bairro de Santos - Reprodução
Escola Estadual Marquês de São Vicente, no Gonzaga, bairro de Santos Imagem: Reprodução
do UOL

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos (SP)

19/02/2020 20h40

Um aluno do 2º ano do Ensino Médio de uma escola estadual de Santos, no litoral de São Paulo, provocou pânico em colegas e professores nesta semana ao levar uma pistola para a sala de aula. O fato aconteceu na Escola Estadual (E.E.) Marquês de São Vicente, no Gonzaga, bairro nobre da cidade. Uma foto e um vídeo do adolescente portando a arma dentro da classe se espalharam por grupos de WhatsApp e redes sociais, e pais e alunos da instituição se dizem muito assustados e pedem providências.

O jovem, segundo informações dos próprios estudantes, vinha se comportando de forma estranha, causando embaraço e assediando sexualmente algumas alunas do período em que estuda.

"Ele está assediando as meninas na sala, mostrou o órgão genital para as meninas", relata uma aluna, em áudio encaminhado para um grupo de estudantes do colégio, no WhatsApp. "Então ele levou essa arma pra escola e os policiais vieram e levaram ele embora. Pelo que eu fiquei sabendo, ele estava ameaçando as meninas para que elas não contassem o que ele estava fazendo com elas. E hoje (ontem) ele levou essa arma".

"O bagulho é sério. Ele foi ameaçar as meninas", relatou por áudio outro estudante da escola, no mesmo grupo de WhatsApp. "Tá louco. Eu tenho mãe, tenho cunhada, tenho irmã. Isso que ele fez é maldade".

Por meio de nota oficial, a PM informou que ontem a ronda escolar da 2ª Companhia teria sido acionada pela diretora da escola, que pediu averiguação de um aluno que poderia estar portando uma arma de fogo. A equipe se dirigiu ao local, a direção do colégio acionou o aluno e foi realizada a revista da mochila do estudante na presença dos policiais.

"Como nada foi encontrado e houve a notícia de que o vídeo fora registrado em outra data e que seria uma arma de brinquedo, a direção da escola dispensou a ronda escolar. A mãe do aluno e a diretora permaneceram na diretoria para conversar sobre o assunto e um suposto assédio, mas fizeram em particular, sem a presença dos policiais. As partes não quiseram registrar o BOPM (Boletim de Ocorrência da Polícia Militar) ou tampouco ir à delegacia de polícia para registro dos fatos", disse a PM, destacando que o vídeo do aluno com a possível arma seria do dia 17 de fevereiro, data em que a ronda escolar esteve presente no local, mas que em nenhum momento teria sido acionada.

Também por meio de nota, a Diretoria Regional de Ensino de Santos informou que a equipe gestora da unidade chamou os pais do aluno envolvido para uma reunião e todas as medidas pedagógicas estão sendo adotadas. As atividades seguem normalmente. A direção atendeu todos os pais que compareceram na escola e continua à disposição para quaisquer esclarecimentos.

"A escola possui a parceria da Ronda Escolar. Além disso, foi criado o Gabinete Integrado de Segurança e Proteção Escolar (Gispec), que conta com servidores da Educação e da Polícia Militar, que contribuem para o planejamento das estratégias de segurança em toda a rede", concluiu o órgão.

Pais pedem providências

Nas redes sociais, pais de estudantes matriculados na E.E. Marquês de São Vicente mostraram-se revoltados com a atitude do estudante do Ensino Médio.

Aluno armado em escola de Santos (SP) - Reprodução
Aluno armado em escola de Santos (SP)
Imagem: Reprodução
"Eu, como pai de uma aluna dessa escola, gostaria de saber efetivamente: quais são essas ações pedagógicas tomadas? Qual foi o resultado da reunião com os pais desse aluno? O que realmente a polícia fez, e qual foi a ação efetiva no ocorrido?", questionou Paulo José dos Santos, em um comentário em uma rede social. "Precisa ser investigado, para que ele não fique impune", escreveu Kelly Quintella Dutra, que também tem um filho matriculado na escola estadual.

Cristiane Silva, mãe de outro aluno que estuda na Marquês de São Vicente, afirmou à reportagem que seu filho, de 16 anos, relatou que o colega, que estuda no mesmo período, realmente levou uma arma para a escola. E que assim que soube do que aconteceu, vem tentando por diversas vezes contato com o colégio, para obter explicações, mas o telefone está sempre ocupado.

"Segundo meu filho contou, já vinham acontecendo desde o ano passado alguns tipos de assédio por parte desse menino, de passar a mão nas garotas, assediando com palavras, e que este ano elas decidiram levar o caso à diretoria da escola. Porém, a diretora não teria tomado nenhuma providência e a arma então teria sido levada para intimidar uma das meninas".

Cristiane aguarda algum pronunciamento da escola, mas adiantou que se sente insegura e muito preocupada, pois o adolescente estuda no mesmo período que o seu filho.

"A gente não sabe o que se passa na cabeça do garoto, qual o tipo de educação que ele teve, se é um menino depressivo. A gente não sabe o que acontece. Não dá para tratar o caso como se tivesse sido uma brincadeira. Estou procurando alguns pais para formalizarmos uma denúncia contra a escola, pois muitas coisas acontecem lá sem que se tomem providências".

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