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Confrontos em protesto no Líbano terminam com mais de 70 feridos

15/12/2019 07h50

Beirute, 15 dez (EFE).- Mais de 70 pessoas ficaram feridas em confrontos que se estenderam até a madrugada deste domingo em Beirute, capital do Líbano, o episódio mais violento desde outubro, quando teve início a onda de protestos contra o governo do país.

"Depois de uma relativa calma ter voltado ao centro de Beirute, o balanço é de 54 cidadãos feridos, sendo que 36 deles foram levados a hospitais da região para receber atendimento médico", informou a Defesa Civil do Líbano em postagem feita no Twitter.

Já a Polícia do Líbano informou que ao menos 20 agentes que atuaram para controlar um grupo de manifestantes violentos se feriram na ação. Todos também foram levados a hospitais próximo ao local do protesto.

A confusão começou na tarde de sábado, quando um grupo de jovens encapuzados lançou fogos de artifício e pedras na direção dos agentes. A imprensa libanesa os identificou como seguidores dos grupos xiitas Amal e Hezbollah, que não se pronunciaram sobre o caso.

Na sexta-feira, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, pediu em discurso transmitido em rede nacional de televisão que os seguidores do movimento sejam pacientes e "controlem seus nervos".

Horas depois do incidente no centro de Beirute, os manifestantes foram até a sede do parlamento, que fica a poucos metros do local onde o protesto inicial ocorria. Alguns deles tentaram invadir uma praça que está fechada desde o início do movimento, o que fez a polícia reagir para dispersá-los da região.

Os agentes usaram bombas de gás lacrimogêneo, canhões de água e, pela primeira vez desde outubro, dispararam balas de borracha contra a população.

Os protestos ocorrem na véspera de uma reunião entre o presidente do Líbano, Michel Aoun, e lideranças dos partidos com representação no parlamento para nomear um novo primeiro-ministro. O antigo ocupante do cargo, Saad Hariri, renunciou no último dia 29 de outubro por pressão dos manifestantes.

A indefinição que dura mais de um mês fez com que surgisse a ideia de que Hariri fosse reconduzido ao cargo. O primeiro-ministro do Líbano deve ser sunita, segundo o sistema confessional em vigor no país desde o fim da guerra civil em 1990.

A formação rápida de um novo governo é a condição imposta pela comunidade internacional e pela ONU para poder ajudar o país, que vive uma de suas piores crises econômicas em décadas. EFE

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