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Pela 1ª vez na história de Israel, Parlamento busca um premiê

21/11/2019 12h23

Jerusalém, 21 Nov 2019 (AFP) - O presidente israelense, Reuven Rivlin, encarregou o Parlamento, nesta quinta-feira (21), da tarefa de encontrar um candidato apto para tirar Israel do beco sem saída político em que se encontra, depois que Benjamin Netanyahu e Benny Gantz fracassaram em sua tentativa de formar um governo, dois meses depois das eleições legislativas.

Pela "primeira vez na história de Israel", segundo o presidente, nenhum candidato obteve os apoios suficientes para dirigir um Executivo.

"O que acontecerá agora? Ninguém sabe, porque isso nunca aconteceu antes", resumiu hoje o jornal "Yediot Aharonoth".

A lei fundamental de Israel, equivalente à Constituição, prevê um "guia de sobrevivência" para estes impasses políticos.

Após ter encomendado a formação de governo aos líderes dos dois principais partidos do país - o Likud, de Benjamin Netanyahu, e o Azul e Branco, de Benny Gantz -, sem sucesso, o presidente hoje solicitou a Yuli-Yoel Edelstein, presidente do Parlamento, que encontre uma personalidade apta a dirigir um futuro Executivo.

Edelstein recebe este mandato em nome do Parlamento, que tem 21 dias, até 11 de dezembro, para apresentar a Rivlin um documento firmado por pelo menos 61 deputados - dos 120 desta Casa unicameral -, comprometendo-se a apoiar um deles para o cargo de premiê.

"O Estado de Israel atravessa um período sombrio de sua história", declarou o presidente ao Parlamento, pedindo aos deputados que ajam de forma "responsável". Ele espera, com isso, evitar a terceira eleição em um ano, após as votações realizadas em abril e setembro.

- Gantz ou Netanyahu -O primeiro-ministro que mais tempo permaneceu no cargo na história de Israel, Benjamin Netanyahu conta com o apoio de um bloco de direita e religioso que soma 54 deputados.

Já Gantz tem o apoio de legendas de centro-esquerda e também de deputados árabes, ainda que estes não fossem fazer parte de seu Executivo. Também não conseguiu atingir 61 cadeiras.

Mesmo sem formar governo, Netanyahu e Gantz poderão receber, mais uma vez, esta tarefa, o que reabre o caminho para novas negociações.

"Netanyahu privilegia seus interesses pessoais", quando "a maioria do povo votou em uma política diferente da sua", disse Benny Gantz ontem à noite, após fracassar em sua tentativa de formar um novo Executivo.

Gantz acusou Netanyahu de erguer um "muro" para impedi-lo de dirigir o país.

Nesta quinta, Netanyahu convidou Gantz para negociações diretas. "Venha pessoalmente para negociações imediatas, você e eu, sem condições prévias (...) Temos de fazer um último esforço para formarmos juntos um governo de união", convocou.

- O fator Mandelblit -Um assunto crucial separa ambos os lados. Se chegarem a um acordo sobre um governo de união nacional, cada um quer ser o primeiro a governar, em um sistema de rodízio.

Por que? Netanyahu, que pode ser indiciado em vários processos, quer estar no cargo, se precisar enfrentar a Justiça. Gantz, por sua vez, recusa-se a compartilhar o poder com alguém que pode ser acusado.

Assim, todas as atenções se voltam para o procurador-geral, Avichai Mandelblit, que anuncia ainda esta tarde se acusa Netanyahu por "malversação", "abuso de confiança" e "corrupção", em uma série de casos. Um deles, o "caso Bezeq", é particularmente delicado.

Nele, Netanyahu é suspeito de ter concedido favores do governo, proporcionando milhões de dólares do presidente da empresa de telecomunicações Bezeq, em troca de uma cobertura midiática favorável por parte de um dos órgãos do grupo, o site Walla.

Uma acusação pode reduzir suas chances de angariar apoio dos deputados. Já uma isenção pode convencer legisladores que hesitam em se unir a ele em uma coalizão.

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