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Óleo é achado a 7 km do mar em margem e leito de rio em Alagoas

do UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

25/10/2019 15h10

Ambientalistas encontraram vestígios de óleo no rio Coruripe, um dos mais importantes de Alagoas, a uma distância de 7 km do mar. A descoberta foi feita em uma expedição ocorrida ontem e comandada pelo Instituto Amigos da Natureza. A equipe retirou 75 kg do material do rio e de duas margens. A informação foi validada pela Ufal (Universidade Federal de Alagoas).

Os impactos do óleo já são sentidos por criadores de ostra no município Coruripe, que ajudam no monitoramento e na limpeza do rio. Todo o material tóxico recolhido foi entregue ao Centro de Defesa Ambiental da Petrobras.

"Estão começando a surgir os resultados do óleo, os pescadores já estão sofrendo. Alguns com receio de saírem ao mar e perderem as redes, por causa do óleo, e outros pescam e ninguém quer comprar. As meninas das ostras estão reclamando da mortalidade", disse Zilma Borges, coordenadora do instituto. "A cada dia a situação agrava."

Ambientalistas encontraram vestígios de óleo no rio Coruripe - Zilma Borges/ONG Amigos da Natureza de Coruripe
Ambientalistas encontraram vestígios de óleo no rio Coruripe
Imagem: Zilma Borges/ONG Amigos da Natureza de Coruripe
Segundo ela, é provável que o óleo tenha adentrado mais no rio. "Na semana passada, no leito do rio, já tínhamos tirado 61 kg de material. Tudo indica que tenhamos ainda mais rio acima, mas ontem não exploramos mais que 7 km", explica.

Efeitos ao ecossistema

Engenheiro de pesca com pós-doutorado em ciências aquáticas, o professor e pesquisador da Ufal Emerson Soares afirma que o óleo contaminou o local a partir do encontro do rio com o mar. Ele afirma que pode haver contaminação não só no rio Coruripe.

"O óleo chegou a 7 km do rio porque existe uma influência de marés muito forte e isso depende da vazão do rio. O mar tem influencia nessa área, ele adentra com uma cunha salina no rio. E a maré tem uma influência muito grande em todos os rios. No São Francisco, por exemplo, temos uma entrada de água do mar até 16 km [para a área de rio]", diz.

Sobre os resultados achados pela expedição ontem no rio Coruripe, Soares acredita que haverá uma série de problemas graves ao ecossistema que ainda precisam ser melhor avaliados.

"Os danos são imensuráveis. Com certeza afetou mangues, que são um berçário de espécies costeiras, marítimas e de água doce. Esse petróleo na região vai causar danos aos corais, aos manguezais e à parte microscópica também. Isso afetou a comunidade aquática. Há, por exemplo um processo de reciclagem de nutrientes dos mangues, além de ser local de alimentação de espécies. Esses danos vão perdurar muito tempo porque é um produto muito tóxico", afirma.

No próximo dia 29, uma expedição da universidade vai percorrer todo litoral alagoano para verificar a situação na foz dos rios que desembocam no mar. "Aí saberemos exatamente onde foi afetado", conclui.

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