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Panelaços e cânticos abafam violência em novo dia de protestos no Chile

21/10/2019 22h17

Rubén Figueroa.

Santiago (Chile), 21 out (EFE).- O protesto pacífico dos chilenos para exigir uma sociedade mais justa abafou nesta segunda-feira, pela primeira vez, as manifestações violentas, que colocaram quase todo o país em estado de emergência.

Com panelas nas mãos e uma palavra de ordem clara - "sem violência" -, milhares de chilenos conseguiram mostrar seu descontentamento e exigir uma sociedade "sem abusos", fazendo suas vozes serem ouvidas com mais atenção do que os episódios de violência, ainda existentes, mas pontuais na comparação com os últimos dias.

"O povo despertou", dizia um dos cartazes exibidos pelos manifestantes em um dos muitos protestos na capital. Locais importantes de Santiago, como as praças Itália e Ñuñoa, foram tomadas pelos cidadãos descontentes com os rumos do governo de Sebastián Piñera.

O toque de recolher decretado mais uma vez pelo Exército para esvaziar as ruas a partir das 20h locais (mesmo horário de Brasília) não teve o efeito desejado. Pelo contrário, virou um motivo de celebração, com os manifestantes fazendo uma contagem regressiva para a entrada em vigor dos limites impostos pelas forças de segurança.

O mesmo gesto de desafio à autoridade se repetiu em diferentes pontos de Santiago. Só os canhões de água usados pelos carabineiros, a polícia militarizada do Chile, ou a passagem do próprio tempo conseguiu dispersar as manifestações.

Apesar dos protestos terem sido majoritariamente pacíficos, houve momentos isolados de vandalismo e tensão. Mais uma vez, grupos radicais ergueram barricadas, entraram em confronto com os policiais, praticaram saques e danificaram prédios públicos.

Os incidentes de violência ocorreram em maior número fora de Santiago, em cidades como Valparaíso, Antofagasta, Temuco e Concepción, esta última palco de incêndios de grandes proporções.

O número de mortos nos protestos subiu para 11, e o Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH) informou que 1.333 pessoas foram detidas. Outras 88 seguem hospitalizadas por ferimentos de armas de fogo, sendo cinco delas em estado grave.

PIÑERA ESBOÇA MUDANÇAS

O presidente do Chile anunciou que se reunirá amanhã com todos os partidos políticos na busca de medidas para reconstruir o país e conseguir ideias para melhorar a previdência, reduzir o preço dos remédios e melhorar a qualidade no atendimento de saúde.

Além disso, o Senado transformou em lei a iniciativa tramitada com urgência para que Piñera possa reduzir as tarifas do transporte público, entre elas a do Metrô de Santiago, cuja alta foi o estopim para a atual crise social do Chile.

Piñera também rebaixou o tom do discurso. Se no domingo disse que o Chile estava em "guerra" contra os manifestantes violentos, hoje pediu compreensão e disse ter feito as afirmações por estar indignado pelos danos provocados pela criminalidade. EFE

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