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'Parem de nos matar', pedem moradores de comunidades à Polícia

23/09/2019 21h55

Rio de Janeiro, 24 Set 2019 (AFP) - Centenas de pessoas protestaram nesta segunda-feira (23), no centro do Rio de Janeiro, contra ações da Polícia nas comunidades, após a morte de uma menina de oito anos, baleada durante uma operação no fim de semana.

Ágatha Felix levou um tiro nas costas na noite de sexta-feira, quando estava com a mãe em uma kombi na comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio.

Contrariando a versão da Polícia Militar, que sustenta que seus agentes foram vítimas de "ataques simultâneos" por parte de criminosos -, os familiares afirmam que o tiro que acertou Ágatha foi disparado por policiais.

"Não tinha confronto. Os policiais não foram atacados simultaneamente. A gente mora próximo, se estivesse tendo um ataque, com diversos tiros, a gente teria ouvido. Simplesmente foi uma criança baleada. Passou uma moto e os policiais atiraram na moto", mas por engano, acertaram na kombi, contou a jornalistas Daniele Lima Félix, de 24 anos, tia de Ágatha.

Daniele participou, ao lado de outros jovens negros, do protesto em frente à Assembleia Legislativa do Rio. De luto, lembraram o nome de outros jovens assassinados e exibiram cartazes com mensagens como "Vidas negras importam", "Parem de nos matar" e palavras de ordem contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.

Mais cedo, Witzel garantiu que dará prioridade à investigação do caso, mas culpou o narcotráfico e quem consome drogas pela morte da menina.

"Quem está no crime organizado é terrorista. Eles que estão apertando o gatilho. Quem fuma maconha e compra substância entorpecente ajudou a apertar esse gatilho", acrescentou o governador, que qualificou a morte da criança como um fato isolado.

Ágatha é a quinta criança morta em ações policiais este ano, segundo cifras da plataforma online Fogo Cruzado, que faz um acompanhamento da ocorrência de tiroteios no Rio. No total, 16 crianças foram feridas ou mortas.

Organizações de defesa dos direitos humanos repudiam a política de segurança adotada por considerar que privilegia os confrontos armados contra criminosos às custas da vida de inocentes.

As mortes violentas no Brasil caíram 10,4% para 57.341 em 2018 com relação a 2017, segundo o último informe do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que trabalha com dados oficiais.

No entanto, o número de pessoas mortas em ações policiais aumentou 19,6% em 2018, com 6.220 mortos, a maioria jovens negros.

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