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Vontade política de evitar Brexit sem acordo evapora rápido

Ian Wishart e Timothy Ross

19/09/2019 14h41

(Bloomberg) -- De longe, o Brexit parece um desastre prestes a acontecer. Uma autoridade europeia, observando a situação de perto, comparou o Brexit a dois carros dirigindo em alta velocidade em direções opostas, esperando que o outro desvie primeiro.

A confiança é um item escasso no momento atual, e há uma sensação de que o desejo de evitar a potencial catástrofe econômica de um Brexit sem acordo está evaporando.

As conversas com autoridades de ambos os lados da mesa de negociação mostram uma imagem sombria da situação à medida que o prazo de 31 de outubro se aproxima. Nas capitais da União Europeia, a pergunta é se o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, tem um plano na manga e, caso tenha, quando será apresentado.

Terão que esperar por uma reunião de cúpula menos de duas semanas antes do cenário de colapso? Numa reunião em Paris, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro da Finlândia, Antti Rinne, concordaram que o Reino Unido deve apresentar uma proposta por escrito até 30 de setembro.

Documentos

Esses prazos são praticamente sem sentido. São mais uma maneira de tentar exercer pressão sobre o Reino Unido que, sob Johnson, parece impassível. Sua antecessora, Theresa May, cedeu em vários pontos e pediu extensões do prazo.

O Reino Unido disse na quinta-feira que compartilhou "por escrito" uma série de documentos "confidenciais e técnicos" que refletem as ideias que os negociadores britânicos discutiram com a UE.

"Vamos apresentar soluções formais por escrito quando estivermos prontos, não de acordo com um prazo artificial, e quando a UE tiver certeza de que se envolverá construtivamente", disse um porta-voz do Reino Unido.

Sem atraso

Adiar a saída depois de 31 de outubro é uma linha vermelha para um líder mais combativo que sustentou sua campanha em torno de concluir o Brexit. O custo político de recuar e se comprometer continua aumentando - de todos os lados - e isso dificulta uma solução, mesmo quando as negociações estão claramente em andamento.

E, embora a estratégia de "empurrar com a barriga" seja o modo pelo qual muitas crises são tratadas em Bruxelas, mais de dois anos de negociações sem resultado têm um preço. A fadiga do Brexit não atinge apenas os eleitores. A Europa também quer seguir em frente.

--Com a colaboração de Thomas Penny, Dara Doyle, Patrick Donahue, Gregory Viscusi, Kati Pohjanpalo, Paul Tugwell e Peter Flanagan.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Ian Wishart em Bruxelas, iwishart@bloomberg.net;Timothy Ross em Londres, tross54@bloomberg.net

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