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Policiais militares são denunciados por homicídio de carroceiro em Pinheiros

Protesto em Pinheiros pós morte do catador de material reciclável Ricardo Silva Nascimento  -  Marlene Bergamo - 13.jul.17/Folhapress
Protesto em Pinheiros pós morte do catador de material reciclável Ricardo Silva Nascimento Imagem: Marlene Bergamo - 13.jul.17/Folhapress

Marco Antônio Carvalho

23/07/2019 20h49

O Ministério Público denunciou nesta semana dois policiais militares acusados de matar o catador de material reciclável Ricardo Silva Nascimento durante uma ocorrência em 12 de julho de 2017.

Nascimento foi morto na rua Mourato Coelho, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, após ter enfrentado os policiais com um pedaço de madeira. Para o promotor, os agentes poderiam ter optado por usar bastões e gás de pimenta, o que não foi feito.

A denúncia foi apresentada na segunda-feira (22) à Justiça, que decidirá se há elementos suficientes para o recebimento e consequente abertura da ação penal, com oportunidade para apresentação da defesa dos acusados.

O caso poderá ser levado para júri popular, mas isso não tem prazo para ocorrer.

O promotor Hidejalma Muccio diz que os policiais José Marques Madalhano e Augusto Cesar da Silva Liberali foram deslocados para atender uma ocorrência por volta das 18h na rua Mourato Coelho, nas proximidades de uma pizzaria. Lá, eles se depararam com Nascimento, que estava exaltado e com um pedaço de madeira nas mãos.

O promotor afirma que os agentes estavam em superioridade numérica e mesmo assim optaram pelo uso da arma de fogo, desconsiderando a possibilidade de emprego de bastões e gás de pimenta que possuíam. O catador foi atingido por dois disparos efetuados por Madalhano e morreu no local. Para o MP, Liberali agiu no apoio da versão de legítima defesa, comportamento que o caracterizaria como partícipe do crime.

O caso mobilizou a vizinhança e os colegas de Nascimento. Um protesto foi realizado no dia seguinte à morte, pedindo a responsabilização dos policiais.

Na data, a Secretaria da Segurança Pública chegou a afastar cinco policiais militares que atenderam a ocorrência e informou que a Corregedoria acompanhava as investigações. O procedimento dos agentes foi criticado pelo então ouvidor das polícias, Júlio César Fernandes Neves.

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