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"Não estou satisfeito no PSDB", diz Alckmin em palestra no interior de SP

31.mai.2019 - Pedro Ladeira/Folhapress
O governador de SP, João Dória, o novo presidente do PSDB Bruno Araújo e o ex-governador Geraldo Alckmin Imagem: 31.mai.2019 - Pedro Ladeira/Folhapress
do UOL

Eduardo Schiavoni

Colaboração para o UOL, de Ribeirão Preto (SP)

2019-06-26T14:10:10

2019-06-26T15:50:21

26/06/2019 14h10Atualizada em 26/06/2019 15h50

"Me perguntam se eu estou feliz no partido. Não estou, e quem disser que está está mentindo. Não estou satisfeito no PSDB, já que o sistema brasileiro não permite que qualquer pessoa esteja feliz com qualquer partido." A declaração foi dada pelo ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e candidato tucano derrotado à Presidência em 2018 durante evento fechado realizado em Ribeirão Preto na noite de ontem .

O político ministrou palestra para integrantes do Mentoria Liderança e do Mentoria 2020, iniciativa gratuita promovida pelo Instituto SEB, do empresário Chaim Zaher, para a formação de lideranças políticas e sociais. Ele esteve acompanhado do prefeito da cidade, Duarte Nogueira (PSDB), que foi seu secretário e segue como um dos seus principais cabos eleitorais no interior do Estado.

Durante a palestra, Alckmin preferiu não mencionar diretamente a situação do PSDB, que vive uma disputa de poder entre a ala mais tradicional, da qual Alckmin faz parte, e a comandada por João Doria, governador de São Paulo. "O ideal é que os partidos tenham democracia interna", disse o ex-governador, ao ser questionado sobre o tema.

Bolsonaro

Alckmin falou por cerca de duas horas, respondendo, nesse período, perguntas dos presentes. Além de comentar a situação atual do PSDB, o tucano contou "causos" e deu sua opinião sobre o governo Bolsonaro. Ao ser perguntado pelos presentes, afirmou que tem "simpatia" pela "postura simples" do presidente, mas que considera que o governo "bate cabeça".

"Eu até me identifico com o jeito simples do Bolsonaro, sou assim e acho que o político tem que estar perto do povo. Acho isso uma coisa positiva. Mas o governo segue numa bateção de cabeça enorme. E o Brasil está perdendo tempo enquanto isso", disse o governador. "O mundo vai crescer 3,5% e países em desenvolvimento, como o Brasil, devem crescer 5%. Como pode o Brasil, que deveria crescer 5%, crescer só 1%?", questionou o governador.

Evitando polêmicas, Alckmin ainda declarou que a disputa política no país tem sido prejudicial à democracia. "Não credito em bangue-bangue. Não há só mocinhos em um partido e bandidos em outros. Somos todos humanos, e nem todos os membros de um partido são bonzinhos e do outro partido são bandidos", disse.

Alckmin ainda declarou seu apreço ao parlamentarismo. "No presidencialismo, as urnas só são abertas de quatro em quatro anos. No parlamentarismo, se o governo perde suporte, perde credibilidade, ele não continua. Tudo dentro da legalidade", disse. "Não podemos fazer impeachments em série. Tivemos Collor, tiramos Dilma. Vai tirar Bolsonaro? Até quando vamos fazer impeachments em série?"

O ex-governador ainda defendeu o voto distrital como alternativa. "Como é hoje, só se elege quem tem presença na mídia e é conhecido em todo o estado. Ou quem tem muito dinheiro, ou aqueles que fazem parte de entidades como igrejas e sindicatos, com penetração em todo o estado", conta.

Errata: o texto foi atualizado
A matéria informou incorretamente que o evento ocorreu na quinta-feira. Na verdade foi na terça-feira. A informação foi corrigida.

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