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Dia Mundial do Refugiado: a vida dos palestinos em território ocupado

20/06/2021 09h10

Alice Froussard, enviada especial da RFI ao campo de Balata, na Cisjordânia ocupada

O campo de refugiados de Balata, perto de Nablus, é um dos mais densos da Cisjordânia ocupada: 27 000 pessoas moram no local, cuja superfície é de apenas 25km2. As ruas são estreitas e os carros e a luz penetram com dificuldade. Aqui vive Ahmad, 28 anos. Seus avós, originários de Jaffa, foram retirados à força de Nakba em 1948, quando foi criado o estado de Israel.

A vida não é fácil. A integração na cidade vizinha é complicada e a violência faz parte do cotidiano. Ahmad conta que, tecnicamente, ele poderia viver fora do campo. "Mas se abandonarmos o campo, isso significa abandonar nossos princípios e o direito ao retorno", diz. "Mas esperamos voltar para Jaffa, para nossa terra, onde meu avô nasceu. Se eu não voltar, talvez meu filho poderá. Ou talvez meu neto, ou outra pessoa da minha família. Este é meu objetivo."

Sentimento de injustiça profundo

Como ele, a maioria dos refugiados nunca conheceu sua cidade de origem ou a casa da sua família. Ahmad guarda as chaves com cuidado. A residência fica na fronteira com Israel, onde os palestinos só podem ir pedindo uma permissão oficial, que é recusada com frequência.

Essa é uma situação injusta, estima Mais, palestina de 55 anos. "Como palestina, minha filha tem 18 anos e não pode visitar Jerusalém. O mar fica a uma hora daqui, mas ela não pode ir à praia. Por quê? Porque somos palestinos." Essas histórias, dizem, os palestinos contam de geração em geração. Eles esperam, um dia, poder voltar para casa. 

Número de deslocados cresceu com a pandemia

O número de pessoas deslocadas por conflitos e crises no mundo dobrou em 10 anos e alcançou o número recorde de 82,4 milhões, anunciou a ONU nesta sexta-feira (18).

Quando consideradas as situações de deslocamento internacional, a Síria ocupa o primeiro lugar em nível mundial, com 6,7 milhões de cidadãos que foram obrigados a abandonar suas casas, seguida pela Venezuela, com 4 milhões (3,9 milhões sem status de refugiados e quase 170.000 com o status), destaca o relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

O documento destaca que o número de refugiados, de pessoas deslocadas dentro do próprio país e de solicitantes de asilo alcançou 82,4 milhões em 2020, 4% a mais que os 79,5 milhões registrados em 2019, que já significavam um recorde.

De acordo com o relatório, 2020 foi o nono ano consecutivo de aumento do número de deslocamentos forçados no mundo.

(AFP e RFI)

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