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1 mês

Personalidades exigem da ONU investigação por massacres de 1988 em prisões iranianas

05/05/2021 10h44

Genebra, 5 Mai 2021 (AFP) - Mais de 150 personalidades, incluindo vários prêmios Nobel, ex-chefes de Estado e ex-funcionários da ONU, solicitaram uma investigação internacional sobre a execução sumária de milhares de dissidentes nas prisões do Irã em 1988.

Em uma carta aberta à alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, divulgada nesta quarta-feira (5), os signatários instam a comunidade internacional a investigar o episódio.

ONGs de defesa dos direitos humanos fazem campanha há anos por justiça pelo que consideram execuções extrajudiciais de milhares de iranianos, a maioria deles jovens, num momento em que a guerra com o Iraque estava terminando (1980-1988).

Os mortos eram, em sua maioria, partidários da Organização dos Mujahidin do Povo Iraniano, um grupo opositor proibido pelo governo iraniano por ter apoiado Bagdá no conflito.

Em setembro, sete relatores especiais da ONU enviaram uma carta ao governo iraniano, manifestando "séria inquietação pela recusa persistente (de Teerã) em revelar o destino (dos mortos) e a localização" de onde foram enterrados.

"Estamos preocupados que esta situação possa representar crimes contra a humanidade", disseram especialistas da ONU, solicitando uma investigação "completa" e "independente".

Também solicitam de Teerã "certidões de óbito precisas" para suas famílias e alertam que se o país continuar a "se recusar a respeitar suas obrigações", uma investigação internacional será iniciada para esclarecer esses fatos.

- "Cultura da impunidade" -A carta aberta apoia, em particular, o apelo ao lançamento de uma investigação internacional.

"Pedimos ao Conselho de Direitos Humanos da ONU que acabe com a cultura de impunidade no Irã criando uma comissão de inquérito sobre as execuções extrajudiciais e os desaparecimentos forçados em 1988", afirma a carta.

"Instamos a alta comissária Michelle Bachelet a apoiar o estabelecimento de tal comissão", continua.

Entre os signatários da carta aberta estão seis ganhadores do Nobel, a ex-presidente irlandesa Mary Robinson, que precedeu Bachelet em seu cargo na ONU, bem como chefes de comissões internacionais de inquérito criadas pela ONU para investigar a Coreia do Norte e a Eritreia.

Vinte e oito ex-especialistas em direitos humanos da ONU, o ex-promotor dos tribunais internacionais da ex-Iugoslávia e de Ruanda e ex-chefes de Estado ou de governo também assinaram.

O escritório de Direitos Humanos da ONU confirmou à AFP que recebeu a carta por e-mail.

Questionada sobre uma reação a este apelo, a porta-voz da alta comissária, Marta Hurtado, também sublinhou por e-mail que "a criação de uma comissão internacional de inquérito é uma decisão dos Estados-membros".

No entanto, acrescentou que o Escritório da alta comissária e o relator especial sobre a situação dos direitos humanos no Irã já "foram informados sobre a impunidade persistente para graves violações dos direitos humanos na República Islâmica do Irã".

Segundo ativistas de direitos humanos, milhares de pessoas foram mortas sem julgamento nas prisões iranianas por ordem do então guia supremo, o aiatolá Ruhollah Khomeini.

O Conselho Nacional de Resistência do Irã (NCRI, oposição no exílio), do qual os Mujahedin do Povo são seu principal integrante, estima cerca de 30 mil mortos, mas não há confirmação para este número.

nl/rjm/lch/at/age/mb/mr

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