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Gabbardo pede para Ministério da Saúde definir logo a logística das vacinas

Gabbardo já foi secretário-executivo do Ministério da Saúde - Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Gabbardo já foi secretário-executivo do Ministério da Saúde Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
do UOL

Colaboração para o UOL

21/11/2020 16h52

João Gabbardo, coordenador do centro de contingência da covid-19 em São Paulo, cobrou o Ministério da Saúde hoje. Ele afirmou que o governo federal precisa acelerar a definição da logística das vacinas contra o novo coronavírus, através de reuniões com governos e municípios. Caso contrário, "vamos perder tempo" para imunizar a população.

Gabbardo explicou que o Brasil precisará de duas ou três vacinas, pois nenhuma fábrica poderá vender sozinha a grande quantidade de doses que o país deve precisar - cerca de 400 milhões, segundo ele.

Diante disso, Gabbardo entende que o Brasil precisa definir quais vacinas serão compradas e como elas serão distribuídas. Ele espera que o Ministério da Saúde não aguarde os registros da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para conversar sobre isso.

"Essa logística vai envolver muita discussão. Tem que envolver os estados. O Ministério da Saúde tem que começar a chamar as secretarias estaduais e municipais, para já começar a fazer o planejamento. Não podemos deixar para planejar isso quando vacinas tiverem o registro da Anvisa. Ou vamos perder tempo. O ideal era que nesse momento o planejamento estivesse pronto", cobrou Gabbardo, em entrevista à CNN Brasil.

Outra possível dificuldade para a vacinação é que os imunizantes possuem características diferentes de transporte e armazenamento. Algumas, como as vacinas da Moderna e da Pfizer, precisam usar congeladores que atinjam temperaturas baixíssimas, de -20°C ou -70°C. Gabbardo destacou que não existirá esse problema com a CoronaVac, vacina que o estado de São Paulo já comprou do laboratório chinês SinoVac.

"Se for logística para a vacina do Butantan, na parceria com a SinoVac, não vai ter dificuldade nenhuma. É a mesma logística da vacina contra a gripe, que distribuímos quase 70 milhões pro Brasil inteiro. A temperatura é de geladeira comum. Acredito que a distribuição da vacina possa ser feita em uma semana. Talvez com exceção do Norte do Brasil. Nos demais locais, em uma semana tem vacina. Se for vacina que precisa ser transportada em -20°C, precisa de logística diferente. Isso pode acarretar certo atraso. É possível que se faça um mix na distribuição das vacinas. As que precisam de temperatura mais baixa podem ir para capitais. E o interior receberia a outra. Tudo vai depender de que vacinas o Ministério vai incorporar", explicou Gabbardo.

Recentemente o Ministério da Saúde se reuniu com fabricantes de diversas vacinas, mas não anunciou conclusões desses encontros. Por enquanto o Brasil só manifestou interesse de compra da vacina poduzida pela farmacêutica AstraZeneca com a universidade de Oxford. Houve um acordo para manifestar interesse de compra da SinoVac também, mas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cancelou.

Questionado sobre quais grupos da sociedade serão vacinados com prioridade, Gabbardo explicou que isso também cabe ao Ministério da Saúde. Mas destacou que gosta do modelo que deve ser aplicado no Reino Unido.

"Para vacina da gripe são considerados os grupos prioritários, idosos, crianças, gestantes e pessoas com pouca imunidade. Depois determinadas profissões, como áreas de médicos, seguranças e de educação. É o critério que os Estados Unidos devem utilizar. Mas o Reino Unido está pensando diferente. Pensando em fazer distribuição usando critério cronológico. Começando por pessoas com mais de 80 anos. Depois vai reduzindo as faixas etárias. É um critério que eu acho interessante e lógico, porque os óbitos são mais frequentes de acordo com faixas etárias", opinou Gabbardo.

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