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Família acusa garçom de servir álcool para criança de um ano em Santos

Mãe da criança, Fabíola Ramos, mostra copo usado pelo filho - Arquivo Pessoal
Mãe da criança, Fabíola Ramos, mostra copo usado pelo filho Imagem: Arquivo Pessoal
do UOL

Rafaella Martinez

Colaboração para o UOL, em Guarujá (SP)

30/09/2020 11h56

Uma criança de um ano e onze meses teria ingerido álcool no lugar de água em um restaurante de Santos, no litoral de São Paulo. O caso aconteceu no último dia 20 e ganhou repercussão após uma postagem da tia da criança nas redes sociais. O restaurante afirma que analisou as câmeras de monitoramento e demitiu o garçom que atendeu a família.

De acordo com a mãe de Lorenzo, a família teria ido ao Brother's Bar e Choperia, localizado no bairro do Embaré, para comemorar um aniversário. "Quando fomos pagar a comanda meu filho pediu água e eles só vendiam garrafas geladas. Foi quando perguntei se o garçom poderia fazer a gentileza de encher o copinho com água do filtro e ele levou para a cozinha", afirmou ao UOL a mãe da criança, Fabíola Ramos.

Quando o profissional voltou e entregou o copo, o menino teria bebido e cuspido o conteúdo, colocando a língua para fora. Nesse momento a família pensou que era por conta de um pirulito que ele estava comendo e prosseguiu com o pagamento no caixa.

"Quando peguei meu filho, me sujei com o doce e abri o copinho para jogar na minha mão. Foi quando subiu o cheiro do álcool. Dei para minha cunhada, que provou e na hora disse que a boca começou a queimar. Ficamos desesperadas e chamamos novamente o garçom, que pegou o copo do meu filho e levou para cozinha, voltando com ele limpo e uma garrafa de água lacrada a parte".

menino chegou a vomitar - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Menino chegou a vomitar, diz mãe
Imagem: Arquivo Pessoal

Fabíola conta que imediatamente chamou o dono do estabelecimento e pediu para analisar as imagens da câmera de segurança onde, de acordo com ela, foi possível ver que o homem encheu o copo com uma garrafa pet sem rótulo que estava na geladeira e completou com água do filtro.

A história é a mesma contada pelo garçom de 23 anos à polícia. O profissional afirmou ainda que misturou as duas águas para ficar com a temperatura morna, agradável para a criança. Ele disse ainda que após ser novamente chamado pela família, foi agredido com um soco nas costas e acusado de ter colocado álcool no copo.

A mãe da criança afirma que se desestabilizou com a situação, mas que logo foi contida por familiares, não chegando a agredir o profissional. O menino foi levado ao hospital após vomitar e liberado na sequência.

"A garrafa estava sem rótulo e poderia ter matado meu filho. É uma irresponsabilidade absurda isso. Não sabemos se foi intencional ou um erro por parte do garçom, mas ele se negou a pedir desculpas e ainda lavou o copinho, impossibilitando uma investigação sobre o caso. Queremos garantir que o estabelecimento zele pelo que é servido, para que isso não volte a acontecer", desabafa a mãe.

O caso foi encaminhado ao 7° Distrito Policial de Santos, que não deu andamento na denúncia por conta da ausência de provas concretas. A família instituiu um advogado que irá mover um processo por danos morais contra o estabelecimento.

Outro lado

Em nota, o Brother's Bar e Choperia afirma que analisou as filmagens do circuito de segurança e ouviu o funcionário envolvido no ocorrido, optando pela demissão do profissional por constatar um procedimento inadequado e fora dos padrões estabelecidos pela casa.

"Entretanto, apesar das imagens, não é comprobatório que o mesmo, conforme é alegado, tenha servido qualquer substância indevida. O estabelecimento dispõe de apenas uma única forma de servir água aos seus clientes, através da venda em recipiente lacrado e rotulado. Por motivo que não é padrão, a solicitação de um favor para abastecimento de um copo para a criança, atendida pelo garçom, não fora feito diretamente pelo filtro de água, disponível de forma visível a todos os clientes, na copa do estabelecimento", destaca o documento.

O bar afirma ainda que "não faz uso de material de limpeza em sua copa em frascos sem rótulo, bem como em recipientes inapropriados, passíveis de ambivalência ou dúvida, tendo seu uso exclusivamente em forma de gel, para as mãos, e em borrifadores, para outras aplicações".

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