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Polícia remove manifestantes que ocupavam espaço público em Seattle

01/07/2020 15h49

Seattle, Estados Unidos, 1 Jul 2020 (AFP) - Forças de segurança de Seattle desocuparam nesta quarta-feira uma zona autônoma criada há três semanas por manifestantes que protestavam contra o abuso policial nos Estados Unidos.

A prefeita Jenny Durkan ordenou que a polícia evacuasse a área, chamada "Protesto Organizado no Capitólio", e removesse as barricadas usadas para desviar o tráfego.

Às 5h locais, um contingente se apresentou com equipes do batalhão de choque e obrigou os ocupantes a deixarem o local. Segundo a polícia, até as 9h locais haviam sido realizadas 31 prisões, entre outros motivos por desobediência, obstrução do trabalho da força pública, violência e posse ilegal de armas.

"A polícia continua proporcionando segurança no perímetro para os grupos da cidade que prestam serviços e realizam a limpeza ambiental", publicou o departamento no Twitter. Vídeos mostravam manifestantes reunindo seus pertences e deixando o local, enquanto a polícia prendia aqueles que se recusavam a sair.

A Chop, originalmente conhecida como Chaz, ou Zona Autônoma de Capitol Hill, foi estabelecida no começo de junho, no pico das manifestações em massa nos Estados Unidos contra o racismo e a violência policial. Os ocupantes fecharam ruas e se apoderaram de um prédio da polícia desocupado para evitar um confronto maior.

"O que aconteceu aqui é anárquico, brutal e, definitivamente, simplesmente inaceitável", disse a chefe de polícia, Carmen Best, negra. "Apoio as manifestações pacíficas. A vida dos negros importa, mas já basta. Nosso trabalho é proteger e servir à comunidade."

- 'Saqueadores, agitadores, anarquistas' -

Jenny Durkan assinou a ordem ontem à noite, argumentando que, até então, a cidade havia "facilitado razoavelmente um exercício permanente" dos direitos constitucionais de liberdade de expressão e manifestação. Mas, segundo ela, estes direitos "não requerem que a cidade proporcione um santuário de sua propriedade para a ocupação ilimitada, o que causa danos à cidade e à propriedade privada, prejudica o direito à circulação e gera condições perigosas". A prefeita citou vários tiroteios na área, que deixaram dois mortos, além de agressões, estupros e uso de drogas.

Jenny foi atacada por sua forma de lidar com a situação. Um de seus maiores críticos foi o presidente americano, Donald Trump. "Os saqueadores, agitadores, anarquistas e manifestantes de Seattle se negam a deixar a zona Chop. Têm ZERO respeito pelo governo, a prefeita de Seattle ou o governador do estado de Washington! Isso não é bom!", tuitou o presidente esta semana.

A ordem também veio depois que um grupo da Chop, liderado por um membro do conselho municipal, fez um protesto no último domingo em frente à residência da prefeita. "Seattle pode e deve se manifestar pacificamente, mas não deve colocar em risco famílias e crianças", dizia um comunicado da prefeita divulgado naquele momento.

bur-yow-jt/mr/lb

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