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Argelinos votam para presidente em eleições questionadas

12/12/2019 08h16

Argel, 12 dez 2019 (AFP) - Após 10 meses de protestos populares que forçaram a renúncia do presidente Abdelaziz Buteflika, os argelinos elegem nesta quinta-feira seu sucessor em eleições presidenciais percebidas pelos manifestantes como uma manobra de sobrevivência regime.

Os 61.000 centros de votação abriram às 8H00 (horário local) em todo o país. Na região de Cabilia dois centros de votação foram depredados, segundo testemunhas. Na capital o fluxo de eleitores era desigual.

Desde 22 de fevereiro, o regime tem sido questionado por um movimento ("Hirak") de protesto inédito.

Depois de ter conseguido em abril a renúncia de Abdelaziz Buteflika, chefe de Estado há 20 anos, o "Hirak" exige agora o desmantelamento do conjunto do "sistema político", no poder desde a independência em 1962.

Os manifestantes consideram as eleições como uma "farsa eleitoral" e pedem a saída de todos aqueles que apoiaram ou participaram nas duas décadas de presidência de Buteflika.

Os cinco candidatos à presidência (Abdelaziz Belaid, Ali Benflis, Abdelkader Bengrina, Azzedine Mihubi e Abdelmajid Tebbune) viveram uma campanha eleitoral muito complicada e frequentemente foram recebidos de forma hostil.

Todos são considerados pelos manifestantes como "filhos do sistema" por seu papel durante a presidência de Buteflika - dois foram seus primeiros-ministros e outros dois ministros - e são criticados por continuarem a apoiar o regime ao se candidatarem para as eleições.

Na quarta-feira, 24 horas antes da eleição, milhares de pessoas se manifestaram contra a votação no centro de Argel.

Os centros de votação encerrarão às 19H00.

- Pedido de tranquilidade -Há algumas semanas o governo repete que a participação será "maciça", contrariamente aos observadores, que esperam uma forte abstenção. Diante da falta de pesquisas, é difícil saber quantos dos 24 milhões de eleitores irão votar.

Os centros de votação argelinos no exterior, onde a eleição começou no sábado, ficaram praticamente vazios, e os escassos eleitores foram vaiados.

"A votação será boicotada em grande medida", prevê Anthony Skinner, diretor para o Oriente Médio e o norte da África da consultoria Verisk Maplecroft.

Na quarta-feira, várias personalidades próximas a "Hirak" alertaram para o contexto de "grandes tensões" em que se celebra a eleição. Pediram para que "mantenham a calma e para não responder às provocações nem impedir os demais cidadãos a exercerem seu direito a se expressar livremente".

Os analistas já destacam a ausência de legitimidade do futuro presidente, que sucederá oficialmente o chefe de Estado interino, Abdelkader Bensalah. E prevê que prosseguirão os protestos e as manifestações.

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