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Pelosi troca ataques com Trump e ordena aceleração do processo de impeachment

05/12/2019 18h56

Alfonso Fernández.

Washington, 5 dez (EFE).- A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, ordenou nesta quinta-feira a aceleração do processo que pode resultar no impeachment do presidente, Donald Trump, por suposto abuso de poder para interesses pessoais.

"A nossa democracia está em jogo. O presidente não nos deixa escolha", disse Pelosi em discurso televisionado do Congresso no qual enfatizou que Trump "abusou do poder para o próprio benefício político e pessoal às custas da segurança nacional dos EUA".

Para justificar a decisão, Pelosi citou a pressão de Trump sobre a Ucrânia para investigar o ex-vice-presidente e pré-candidato democrata à presidência Joe Biden e seu filho, Hunter, por suposta corrupção no país.

Pelosi afirmou que "as ações do presidente violaram gravemente a Constituição" e reconheceu que tomou a decisão com "tristeza, humildade e respeito aos pais fundadores da república".

A crescente tensão entre Pelosi e Trump ficou evidente quando a líder democrata abandonou o habitual encontro semanal com a imprensa e um repórter perguntou se ela odiava o presidente, e se esse era o motivo por trás da investigação para abrir um processo de impeachment.

A poucos passos da porta de saída, a democrata parou no meio do caminho, respondeu que os democratas não odeiam ninguém e voltou ao palco para continuar a resposta.

"Como católica, me sinto ofendida por usar a palavra ódio numa frase que se refere a mim. Eu não odeio ninguém. Sempre rezo pelo presidente, e continuo rezando pelo presidente. Então não brinque comigo com palavras como essa", argumentou.

Poucos minutos depois, Trump opinou que a congressista havia sofrido "um ataque de nervos" porque não aceitava seu sucesso na Casa Branca.

"Nancy Pelosi acaba de ter um ataque de nervos. Ela odeia que, em breve, teremos 182 novos juízes e mais. A bolsa de valores e o emprego bateram recordes. Ela diz que 'reza pelo presidente'. Eu não acredito nela, nem de longe", frisou.

A investigação do processo de impeachment contra Trump já está bem encaminhada no Congresso. Após duas semanas de audiências públicas lideradas pelo Comitê de Inteligência da Câmara, encarregado de encontrar provas no comportamento do presidente, cabe agora ao Comitê Judicial definir se as acusações são ou não suficientes para a continuidade do processo.

Uma vez redigidas as acusações, e com a aprovação desse comitê, o processo será submetido a uma votação na Câmara dos Representantes, onde não deve encontrar problemas devido à maioria dos democratas (235, contra 199 republicanos). Ainda não há uma data para a votação, a previsão é que ocorra ainda neste ano.

O segundo e último capítulo será no Senado, onde os republicanos têm uma leve maioria de 53 assentos, contra 47 democratas. No entanto, a lei exige o apoio de dois terços do Senado, por isso seria necessário que 20 republicanos votassem pela saída de Trump, algo altamente improvável. EFE

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