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Testemunha relata demora em obter socorro a moradores de rua em Barueri

Moradores de rua desacordados em Barueri sob suspeita de envenenamento - Arquivo pessoal
Moradores de rua desacordados em Barueri sob suspeita de envenenamento Imagem: Arquivo pessoal
do UOL

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

17/11/2019 16h47Atualizada em 17/11/2019 18h38

Resumo da notícia

  • Mulher diz ter ligado duas vezes para serviço de ambulância e guarda municipal, sem sucesso
  • Moradora da cidades afirma que só conseguiu contato com a PM
  • Desde o primeiro telefonema até a chegada do socorro foram 30 minutos
  • Quatro pessoas morreram e 3 estão internadas após ingerirem bebida

O socorro médico aos moradores de rua supostamente envenenados por uma bebida alcoólica teria demorado para chegar na cidade de Barueri, na Grande São Paulo. Ontem, quatro pessoas morreram e outras três foram internadas no Hospital Municipal.

A operadora de telemarketing Marina Guedes, 33, foi quem chamou o resgate ao avistar os moradores de rua convulsionando na avenida Campos Sales, em frente a uma padaria e perto de um ponto de ônibus.

"É meu caminho para o serviço. Quando desci do ponto, eles estavam tentando se ajudar", contou ao UOL. "Foi muito difícil acionar o resgate, que demorou muito a chegar."

Como Barueri não conta com o serviço de Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), quem socorre os munícipes são as ambulâncias do Sameb (Serviço de Assistência Médica de Barueri), o pronto-socorro central da cidade. "Liguei duas vezes, mas ninguém atendeu. Liguei mais duas vezes na Guarda Municipal, e também não atenderam."

Ela precisou ligar para a Polícia Militar, que então conseguiu contato com o Sameb. "Eles abriram um procedimento. Eu contei o que estava acontecendo, passei o endereço e pediram para aguardar", disse. "Levei dez minutos para conseguir atendimento. Depois, a ambulância demorou mais uns 20 minutos para chegar."

Marina afirma que, naquela situação, "cada segundo era vital". "Foi a cena mais horrível que eu já vi. Eles convulsionavam tanto que eu tentei ajudar segurando a cabeça de um deles para não bater no chão."

Quatro moradores de rua morrem envenenados em Barueri

Band Notí­cias

Envenenamento

De acordo com a Prefeitura de Barueri, o grupo recebeu uma garrafa com uma bebida alcoólica envenenada como esmola de um homem que passava com um carro na região da Cracolândia, no centro de São Paulo.

Marina afirmou, no entanto, que uma das vítimas, Silvia Helena Euripes, 54, não mencionou a Cracolândia quando lhe contou sobre o caso. "Ela disse que um deles foi pedir esmola e recebeu a garrafa batizada, mas não falou em Cracolândia", diz. "Por que um grupo de alcoólatras ganharia um frasco com bebida na sexta e beberia no sábado em outra cidade?", questiona.

Segundo Marina, a moradora de rua contou que "tinha veneno na cachaça". "Ela deu um gole e cuspiu ao notar que sua boca ficou dormente."

A própria Silvia tratou de jogar a garrafa no lixo, mas foi alertada por Marina a recolher e entregar à polícia. "Falei ao resgate sobre o líquido envenenado, o cara da Guarda Municipal foi até a mulher pegou o frasco."

Eu já vi de tudo. Já vi gente até levando tiro, mas nunca assisti a nada igual. Dava para ver que eles não iriam aguentar. Eu não consegui dormir até agora

Marina Guedes, que procurou socorro para moradores de rua

Procurada, a Prefeitura de Barueri e o Sameb> não responderam até a última atualização desta reportagem.

Três seguem internados

A Polícia Civil investiga a suspeita de que eles tenham ingerido uma bebida alcoólica envenenada.

Segundo a prefeitura, não há novidades sobre o quadro médico dos quatro pacientes que seguem internados pelo Hospital Municipal de Barueri: Silvia Helena Euripes, Vinicius Salles Cardoso, Renilton Ribeiro Freitas e Sidnei Ferreira de Araújo Leme.

Os mortos

  1. Edson Sampaio da Silva, de 40 anos
  2. Luiz Pereira da Silva, de 49 anos
  3. Marlon Alves Gonçalves, de 39 anos
  4. Denis da Silva, de 33 anos

Moradores de rua são encontrados mortos em Barueri

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