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Propostas do premiê britânico sobre Brexit não convencem UE

20/08/2019 13h10

Bruxelas, 20 Ago 2019 (AFP) - A União Europeia (UE) considerou insuficiente a proposta do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, de impedir a reimplantação de uma fronteira dura na ilha da Irlanda depois do Brexit, e lhe disse para ser mais realista.

O novo premiê britânico enviou uma carta pública para a UE pela primeira vez na segunda-feira, detalhando seus argumentos contra o dispositivo de "backstop", a rede de segurança que integra o acordo de retirada e que foi rejeitada pelo Parlamento Britânico.

Este dispositivo prevê que, na ausência de uma solução melhor após um período de transição, todo Reino Unido permaneceria em um "território aduaneiro único" com a UE. O objetivo é evitar o restabelecimento de uma fronteira entre a província britânica da Irlanda do Norte e a República da Irlanda.

Este "backstop" foi concebido para preservar os acordos de paz de 1998, que puseram fim a três décadas de violência na ilha da Irlanda, e assim como a integridade do mercado único europeu.

Esta carta foi dirigida ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, dias antes da cúpula do G7 de Biarritz (sudoeste da França), no próximo final de semana.

Johnson também se encontrará com a chanceler alemã, Angela Merkel, na quarta-feira em Berlim, e com o presidente francês, Emmanuel Macron, na quinta, em Paris.

"O 'backstop' é um seguro para evitar uma fronteira dura na ilha da Irlanda, desde que nenhuma solução alternativa seja encontrada", disse Tusk.

"Aqueles que são contra o 'backstop' e que não propõem alternativas realistas são, de fato, a favor da restauração de uma fronteira. Mesmo que não admitam isso", disse ele, sem mencionar Johnson explicitamente.

A Comissão Europeia também rejeitou a proposta do primeiro-ministro britânico, que menciona (sem dar detalhes) "arranjos alternativos", em vez do "backstop".

Em sua carta, o sucessor de Theresa May estima que esse dispositivo é "antidemocrático e mina a soberania do Estado britânico". Além disso, impediria a realização de uma política comercial independente das regras da UE.

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