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Petrobras teme sanção dos EUA e bloqueia navios de milho ao Irã

Tatiana Freitas, Fabiana Batista, Sabrina Valle e Kevin Varley

19/07/2019 15h07

(Bloomberg) -- As sanções dos Estados Unidos ao Irã não atingem apenas o mercado mundial de petróleo, mas também o setor agrícola na América Latina.

Pelo menos dois navios iranianos carregados com milho brasileiro estão encalhados no litoral do país porque não conseguem reabastecer, segundo a autoridade portuária do Porto de Paranaguá. A Petrobras disse que não vai abastecer os navios - - que estão à deriva há mais de um mês - devido ao risco de sanções dos EUA.

O Supremo Tribunal Federal pode decidir se os navios devem ser abastecidos. A Procuradoria-Geral da República deve se pronunciar sobre o caso, segundo informações do jornal Valor Econômico. O Irã foi o principal destino do milho brasileiro no ano passado, com importações de 6 milhões de toneladas, segundo dados do governo.

A incerteza em torno do destino dos navios é a mais recente evidência de como as políticas do governo Donald Trump têm abalado os mercados de commodities em todo o mundo. A guerra comercial entre Estados Unidos e China já alterou os fluxos de comércio de diversas commodities, da soja ao sorgo. Ao mesmo tempo, as sanções dos EUA com objetivo de reduzir as receitas do Irã forçaram os maiores importadores de petróleo a comprar de outros países.

O navio MV Bavand, carregado com 48 mil toneladas de milho, deveria ter saído do Porto de Paranaguá rumo ao Irã em 8 de junho, disse a autoridade portuária em e-mail. O navio partiu do porto de Imbituba, no estado de Santa Catarina, em dia 15 de maio, após o carregamento, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Já o navio MV Termeh tenta reabastecer desde 9 de junho, com destino ao porto de Imbituba, onde será carregado com milho para depois seguir rumo ao Irã, de acordo com a autoridade portuária. O navio descarregou no Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, em 1º de junho, segundo dados compilados pela Bloomberg.

"Se a Petrobras abastecesse esses navios, estaria sujeita ao risco de ser incluída" na lista de sanções dos EUA, o que poderia resultar em perdas significativas para a empresa, disse a estatal em comunicado. "Além disso, há informações de que esses navios vieram do Irã carregados de ureia, que está sujeita às sanções dos EUA."

A agência Reuters havia informado sobre os navios encalhados na quinta-feira.

Irã e EUA trocam farpas desde o ano passado, quando Trump retirou os EUA de um acordo nuclear fechado em 2015 com a República Islâmica, o qual classificou de "pior acordo de todos os tempos". Em maio, o governo dos EUA não quis estender as isenções a oito países para a compra de petróleo iraniano, o que aumentou a pressão sobre a já abalada economia do país.

O Irã está disposto a se reunir com senadores dos EUA para discutir possíveis saídas para a disputa, segundo informações do New York Times divulgadas na quinta-feira. Mas também disse que a escalada de seu programa de enriquecimento nuclear poderia ser revertida se os Estados Unidos suspenderem as sanções impostas por Trump.

Repórteres da matéria original: Tatiana Freitas em São Paulo, tfreitas4@bloomberg.net;Fabiana Batista em Sao Paulo, fbatista6@bloomberg.net;Sabrina Valle em Rio De Janeiro, svalle@bloomberg.net;Kevin Varley em Washington, kvarley@bloomberg.net

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